Por Ian Corrigan; traduzido por Wallace Cunobelinos e publicado com a permissão do autor

O artigo original pode ser lido em http://www.patheos.com/blogs/intothemound/2015/05/to-worship-the-gods.html

Em nosso novo movimento religioso (que eu continuarei a chamar, em geral, de Paganismo, a despeito das dificuldades com o termo) muitas vezes nos encontramos com (ou reagimos a) ideias religiosas da nossa cultura corrente. Uma das mais desafiadoras dessas ideias é a de culto em si, e o desenvolvimento de uma ideia não-unitária do que um deus pode ser.

O que é um Deus?

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Eu sempre me encontro falando com pessoas que estão fazendo acordos com espíritos poderosos, entrando em longas relações com eles, etc, mas que afirmam que não “cultuam deuses”. Esse é um labirinto conceitual espinhoso, esses termos, mas que é primordial para entendermos o que estamos fazendo e o que os povos antigos e modernos fazem. Então eu darei uma batida na tentativa de encontrar a saída.

Eu acredito que precisamos descartar todo o corpus de teologia e filosofia religiosa pós-pagã se quisermos entender o pensamento politeísta e tribal. Eu começo afirmando que, em um contexto pagão-europeu pelo menos, não há algo como um Criador ou Senhor do Universo. Nenhum deus é isso, eu não acredito que onipotência ou onisciência absolutas estão disponíveis para qualquer ser especifico, e então eu não as atribuo aos deuses. Onipotência relativa é outra estória.

Eu não acredito que o Ser-Todo-Poderoso do cosmos seja uma pessoa, ou aceite culto, ou dê a minima para o que acontece na existência – ele simplesmente é. Misticos podem ter um uso para isso, mas é bastante irrelevante para a magia e religião comuns. Da mesma forma eu não acredito que haja algum plano no (ou para o) cosmos, a menos que muitos seres poderosos se reúnam e e façam um por algum tempo. O Todo não exerce Vontade Providencial. Deuses individuais exercem vontade individual.

A raiz germânica do termo ‘deus’ significa “aquele ao qual pagamos sacrifício”. No grande cosmos de espiritos muitos são indiferentes aos mortais, mas alguns escolhem responder a nossas invocaçoes. Desses, alguns são especialmente eficientes em nos conceder bençãos. Esses seres se tornaram os deuses de vários povos. Poetas escreveram belas historias sobre eles, transformaram-nos em uma grande Família Real, etc, mas eles ainda são um tipo de espirito.

Então quando eu uso o termo ‘deus’, eu quero dizer ‘um espírito que responde à oferendas com benção’. Incidentalmente eu acho que o termo ‘deus’ é totalmente inapropriado para se referir a Realidade Definitiva, ou a Profundidade do Ser. De novo, essas são realidades impessoais que não amam ou odeiam, não tem vontade ou intençao. Eu uso as vezes o termo geral ‘o divino’, mas quero dizer a mesma coisa que alguém que usaria ‘natureza’ para se referir a tendências gerais do mundo material.

Então vamos esquecer tudo isso e tentar começar do principio.

1: Existem espíritos. Deixando de lado o que espíritos ‘realmente’ são, é óbvio que humanos em qualquer época ou cultura tiveram contato com espíritos. O desenvolvimento de relações com esses espíritos é o que forma a “religião”.

2: O desenvolvimento de relações com os espíritos traz bençãos. A razão pelo qual a nossa espécie se importa é que percebemos resultados positivos em nossos esforços com os espíritos.

3: Através das eras desenvolvemos relações com espíritos específicos, muitas vezes buscando grandes poderes que transcendessem o local imediato (Sol, Lua, vento, etc…), mas também encontrando espíritos locais das pedras e rios. Ancestrais renomados também se tornaram parte regular de uma religião local. “Religião” então, significa ‘religar’. É a manutenção regular das ligações entre mortais e os espíritos.

4: Em um sentido amplo, em inglês (e em português, embora haja exceções no português brasileiro) , quaisquer espíritos que recebam e respondam a oferendas são ‘deuses’. Eles são também ‘espíritos’. As culturas divergem sobre se há uma grande distinção entre essas categorias.

Para fazer sentido precisamos abandonar inteiramente a noção de que ‘deus’ se refere a uma única categoria, diferente em si do restante da existência. Deuses não são separados da natureza, ou do espírito, ou da vida biológica, incluindo o ser humano. Deuses são seres específicos dentro da categoria mais ampla dos espíritos. Eles podem ser grandes deuses cósmicos ou deuses locais imediatos. Os antigos pagãos não tinham problemas em se voltarem para os deuses da lareira ou dos poços e em ligar-se a espíritos muito menores na história da significância cósmica do que os Olímpicos. Qualquer espírito que entre em uma relação de oferenda-e-resposta pode razoavelmente ser chamado de deus, embora muitas vezes seja útil definir subcategorias adicionais. Em grego a palavra theos é aplicada tanto a espíritos que recebem culto quanto a reis e governantes humanos. Nesse uso um ‘deus’ não é limitado apenas aos seres espírituas, mas a qualquer ser que tenha o poder de trazer bençãos em retorno por honra.

Para ser completo é importante examinar o modelo mítico que também responde à minha questão original. Nele eu preciso me limitar aos exemplos indo-europeus, não apenas pela brevidade mas também por ser a área em que sou especialista.

Na história pagã europeia um caos original veio a ser dividido (misteriosamente) em polos opostos. Esses opostos, normalmente não-pessoais, então geraram a base da existência-em-forma. Dessa base, por vários premissas, os primeiros seres pessoais surgem, ocupando o mais próximo que conhecemos de um ‘motor primário’ nos velhos modelos. Esses seres primais são ‘deuses’, principalmente no sentido de que eles são antigos e renomados – eles raramente recebem adoração no culto real das pessoas. Talvez um ou mais desses seres primais encontre um lugar no panteão final. Muitas vezes um deus-nome posterior se torna associado com uma figura primal das estórias tribais.

Dessas origens, normalmente obscuras e simbólicas, surgem os contos de uma primeira família de deidades. Normalmente confusa, miraculosa e incestuosa, os grandiosos jogam e lutam entre si. Normalmente uma guerra primal ocorre, entre os deuses que mais tarde se tornam os deuses dos mortais, e os outros poderes menos amigáveis ao conforto humano. Os deuses que gostam dos mortais derrotam os deuses que não gostam, e os fragmentos ou ordem que permitem a vida são entalhados. Nosso mundo é essa clausura ordenada, mantida por deuses e espíritos.

Meu resumo acima pode parecer que carece de reverência. O modelo mítico a inclui totalmente. Os deuses, nesse caso, são os mais velhos e mais poderosos, sábios e acolhedores, que mantém o ciclo das estações e apoiam a continuidade e prosperidade da tribo. Eles são dignos de culto por sua própria natureza, à maneira que um herói resoluto é digno.

Na prática o modelo mítico ainda é claramente permeável. A Primeira Família adota outros, tem novos filhos, se casa e faz alianças. Espíritos locais e ancestrais podem ser promovidos, e panteões mutáveis são a norma. Muito da fórmula básica proposta acima ainda se aplica em fato, não importa o que os poetas digam.

Então, se eu tivesse que responder essa questão à luz de tudo isso, eu poderia dizer:

Um deus é um ser, especialmente um espírito, que tem poder e vai responder a um culto honorável com boas bençãos. Embora o termo possa ser aplicado mesmo a pequenos espíritos locais, ele é muitas vezes reservados aos espíritos mais velhos, grandiosos e centrais honrados por uma tribo.

 

O que é culto?

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Sobre o tópico “cultuar deuses” eu descrevi o que acho que é um deus. Agora darei uma pancada no que eu acho que ‘cultuar’ é. Dificilmente há um termo mais usado, encravado, em todo o discurso pagão moderno.

Eu colocarei minhas cartas na mesa. Meu objetivo é retirar a palavra ‘culto’ do seu lugar especial de honra ou desdém nos tempos modernos. Eu quero normalizá-la e a despir do seu status especial.

Vamos começar com o material acadêmico:

Da Wikipedia (porque eu sei que é preciso):

“Culto (worship) é um ato de devoção religiosa normalmente direcionado a uma deidade. A palavra é derivada do Inglês Antigo weorþscipe, significando culto, honra mostrada a um objeto, que foi etimologizado como “merecimento ou dignidade” – dar, de forma mais simples, valor a algo”.

Do the Free Dictionary:

wor·ship n. (culto)

1. a. O amor reverente e devoção apropriada a uma deidade, um ídolo, ou um objeto sagrado.

b. As cerimônias, orações, ou outras formas religiosas pelo qual esse amor é expressado.

2. Devoção ardente; adoração.

3. Principalmente britânico. Usado como forma de se dirigir a magistrados, prefeitos, e certos outros dignatários: ‘Your Worship’.

[Inglês Medieval worshipe, merecimento, honra, do Inglês Antigo weorsthscipe: weorth, worth; ver worth1 + scipe, ship.]

Do Merriam Webster

1: principalmente britânico: uma pessoa de importância – usado como um título para vários oficiais (como magistrados e alguns prefeitos)

2: reverência oferecida a um ser divino ou poder sobrenatural; também: um ato de expressar essa reverência

3: uma forma de prática com seu credo e ritual.

[NOTA DO TRADUTOR: Os termos traduzidos são referentes ao termo inglês para ‘culto’, worship; por isso alguns dos significados atribuídos e, principalmente, a etimologia podem não ser apropriados ao equivalente em nosso idioma (embora a maioria o seja). De qualquer forma, incluirei duas entradas a respeito do termo ‘Culto’ em nosso português:

Da Wikipedia:

No contexto religioso litúrgico, um culto constitui um conjunto de atitudes e ritos pelos quais um grupo de fiéis adora uma divindade. No âmbito do catolicismo, mais especificamente, tais cultos são comumente chamados de missas.

Do Dicionário Aurélio:

1. Forma pela qual se presta homenagem à divindade.

2. Cerimônias religiosas; forma externa (de qualquer religião).

3. Ato religioso dominical (nas igrejas protestantes).

4. Veneração; respeito.

5. Amor intenso.

6. liberdade de cultos:  reconhecimento oficial do livre exercício de todas as religiões.

7. Cuidado, esmerado, polido, civilizado, ilustrado.]

Lembrando que dicionários são apenas esforços comerciais para compilar usos, eu  especialmente noto duas coisas. Primeiro, em nenhum caso é dito envolver rebaixamento, se curvar, suplicar, etc. Segundo, eu noto que culto não é reservado para alguma categoria específica de ser. Ele é estendido aos deuses, ‘seres sobrenaturais’ (não importa…), e humanos honoráveis.

Aqui precisamos, novamente, descartar o peso do pensamento religioso ocidental. O princípio central com o qual muitos de nós foram criados é que apenas ‘Deus’ é digno de culto. Nesse modelo o culto é uma posição especial de emoções e intenções que elevam ‘Deus’ acima de todas as outras coisas. Todos os outros seres podem apenas se aproximar com um grau menor de emoção e intento – muitas vezes descrita em inglês como reverência ou devoção. A Igreja Católica Apostólica Romana usa termos latinos:

Latria vs. Dulia e Hyperdulia

“A Latria é sacrificial em caráter e pode ser oferecida apenas a Deus. Cristãos Católicos e Ortodoxos oferecem graus de reverência à Virgem Maria e aos Santos; esses tipos de reverência não-sacrificial são chamados respectivamente de Hyperdulia e Dulia. Em inglês, dulia é também chamada de veneração. Hyperdulia é essencialmente um grau elevado de dulia dado apenas à Virgem Abençoada”.

Então essa é a profundamente descrita principal noção da religiosidade ocidental – a de que o culto pertence apenas ao Altíssimo, o Mais Verdadeiro, o Definitivo, etc… Eu acredito que ela está entre as mais importantes noções a descartar quando tentamos nos reencontrar com um entendimento dos caminhos antigos. É uma imposição do monoteísmo, na maior parte.

Quando abordando uma palavra com muitas camadas de significado eu gosto de retornar às origens etimológicas. Eu sei que isso não é o fim da história sobre um termo, mas eu gosto pela clarificação. O termo culto não tem, na sua base, qualquer referência ao divino ou espiritual. Ao invés disso, ele se refere ao ato humano de dar respeito e honra a outro.

Talvez devêssemos começar com o que pode ser estranho para os ocidentais – o culto devido a outras pessoas.

“Os cinco deveres religiosos (ou “sacrifícios”) centrais de um chefe de família hindu: pagar homenagem aos videntes, aos Deuses e elementais, aos ancestrais, aos seres vivos e, manushya yajna, “homenagem aos homens”, que inclui a hospitalidade graciosa aos convidados”.

Em inglês encontramos ‘culto’ aplicado a magistrados e outros ‘respeitáveis’. Simplesmente não há razão para considerar o culto como tendo alguma posição elevada ou especial no coração, reservado apenas para as coisas mais elevadas e especiais. É apropriado, na minha opinião, oferecer culto a tudo na vida que julgamos digno de respeito.

De fato, essa seria minha própria definição de culto em um contexto pagão:

A expressão ritualizada de respeito e honra.

A parte da ritualização pode parecer engraçada para pessoas modernas de nossa era informal. Em tempos mais formais o ‘respeito ritualizado’ incluiria formas apropriadas de se dirigir a alguém e regras detalhadas para interações sociais. Em alguns períodos e alguns lugares esse respeito ritualizado poderia incluir um grau de ‘curve-se e respeite-me’ (quando o seu senhor poderia matar ou te deixar rico apenas por capricho essa era a tendência…). De forma mais comum, isso inclui a troca de presentes, compromisso mútuo e respeito mútuo entre alguém e os poderes que cultua. Em algumas situações extremamente formais, como no culto a gurús orientais, vemos a presença material de um professor tratado como o ídolo de uma deidade. Isso é estranho para pessoas modernas, mas está totalmente dentro do espírito da ideia tradicional de culto. Mais notavelmente para nós, isso novamente ilustra que o culto, em um contexto politeísta, não é limitado ao ser mais elevado ou definitivo.

Da mesma forma, o culto não requer nenhum senso de hierarquia ou superioridade/inferioridade. Reis devem respeito ritual a outros reis, fazendeiros a fazendeiros e, sim, deuses aos deuses. Eu retorno aos contos Hindus novamente, onde quando um deus pede a outro por ajuda é claramente dito para que este seja cultuado e receba sacrifício. Os contos Helênicos são menos específicos, embora vejamos claramente deuses pedindo ajuda a outros deuses. No Hinduísmo moderno a saudação religiosa é o ‘Namaste‘ ou ‘Namaskar‘, entendido como significando “O deus em mim saúda o deus em você com culto”.

Nisso podemos entender que nenhum ser é onipotente. Nenhum ser molda o mundo através apenas da vontade pessoal. Todos os seres existem em uma relação, dependendo do poder e da boa vontade de outros para uma vida bem sucedida. Todos os seres precisam manter relações com outros seres para trabalhar a sua vontade – mesmo deuses individuais. Assim, não é o rebaixamento ou aceitação de superioridade que leva ao culto, nem ele precisa ser baseado em reverência ou admiração opressoras. Simplesmente a necessidade ou desejo de estabelecer uma relação é tudo o que está envolvido na ideia básica de culto.

Na ADF nós realizamos às vezes um tipo de rito no qual passamos uma taça de brinde, e cada presente brinda aos espíritos que são importantes para eles. Pagãos estritamente étnicos podem se sentir consternados em algumas de nossas rodadas, quando pessoas brindam aos deuses de várias culturas, ancestrais, espíritos da natureza e, muitos vezes, até os espíritos de animais viventes, especialmente seus companheiros pessoais. Embora eu veja com um pouco de humor o culto aos animais de estimação, eu não posso realmente desaprovar. Parece apropriado respeitar e honrar aqueles que permitimos viver junto a nós, e assim é apropriado expressar esse respeito de uma forma sagrada. Cultuar não é nada mais pleno do que isso.

Portanto, eu acredito que o culto pagão não requer ou assume exclusividade em nenhum momento. Não há nem a mais leve noção nas antigas tradições de que os deuses fossem ciumentos uns dos outros, ou que eles competissem por adoradores. Embora casas, ocupações e distritos possam ter tido seus poderes locais favoritos, era entendido que as pessoas invocavam os deuses com a necessidade, através dos métodos costumeiros de oferenda e pedido. Por outro lado, muito tem sido feito para ‘categorizar’ os deuses (amor, guerra, etc…). Se um cultuador tinha uma relação com um espírito poderoso, esse seria o primeiro ao qual ele pediria ajuda, mesmo que estivesse pedindo a uma deusa-mãe por uma vitória em batalha. Quando se estava viajando era comum, e educado, cultuar os deuses da casa ou terra no qual se encontrasse. A noção de lealdade aos seus deuses não incluía necessariamente exclusividade.

Alguns modelos religiosos sugerem que reciprocidade é ímpia – que devemos cultuar porque os deuses são maravilhosos demais para não serem cultuados, e que pedir por algo em retorno é ímpio. Há um grande valor em gerar experiências de reverência e admiração na mente pessoal. De qualquer forma, eu acredito que, de uma perspectiva pagã, precisamos deixar de lado a noção de que culto é primariamente uma resposta à reverência. Certamente, se aproximar de espíritos poderosos é como se aproximar de uma bobina Tesla – e produz efeitos. Esses efeitos são, em si, desejáveis, e levam à repetição da ação. De qualquer forma, eu não acho que precisamos de uma motivação do tipo ‘mariposas-pelas-chamas’ para cultuar – auto-interesse é uma causa nobre o bastante. Nós cultuamos porque é bom cultuar – isso produz o bem para nós e para os espíritos com o qual interagimos.

O modelo de proceder que eu sugiro é de que o culto pagão ou mágico não é primariamente uma posição do coração, mas um feito de mãos. O culto é atingido através da ação da vontade. Normalmente ele é uma ação ritual – como uma visualização ou invocação silenciosa – mas ela é deliberada, consciente e focada. Os espíritos podem ou não ser comovidos com a ‘sinceridade’ da ação, contanto que o respeito ritualizado apropriado seja mostrado. Minha experiência diz que quanto mais íntima é a relação de alguém com um deus ou espírito, mais importantes essas questões se tornam, embora mesmo meus deuses de culto não pareçam requerer que cada oferenda seja feita da parte mais meiga do meu coração.

Essas posições – culto mútuo, não-exclusividade, a piedade da reciprocidade, e a preferência pela praxis – são fáceis de encontrar atestadas na tradição. Desculpem-me por não incluir citações em uma postagem de blog.

Eu suponho que meu objetivo aqui é enxaguar um pouco do recente crescimento de nonsense a respeito da boa e velha ideia de culto. Não é nada demais. Quando você oferece a um convidado uma bebida na sua chegada, isso é culto. Quando você deixa uma oferenda da colheita para uma erva ou espírito árboreo, isso é culto. Quando você coloca as fotos dos ancestrais em um lugar de honra, isso é culto. Daí, é claro, seguem os outros elementos tradicionais de culto – cantar hinos, erguer louvores, ofertar comida e bebida. Que convidado não se agradaria com tais gentilezas?

É por isso que eu não hesito em dizer que cultuo meus ancestrais, ou os entes da terra, ou o chão em que ando. É apenas isso, e nada demais.