Este ritual deve ser feito preferencialmente pela mulher da casa, mas também pode ser feito por qualquer um que seja o “chefe” da sua casa. Se você se sentir confortável, tente recitar as palavras em Irlandês. Estas invocações e orações foram escritas por Robert Kaucher, mas são baseadas em rezas e poemas tradicionais e fazem parte da tradição celta.

 

Componentes:

Uma vela vermelha.

(Deve ser nova e feita de cera vermelha pura. Não use uma vela branca coberta por cera vermelha. Use esta vela somente para Brigid)

Quatro pães.

Um copo grande de leite.

Um xale branco, feito de lã

Dois copos. Um deles com o leite, o outro vazio.

Dois pratos.  Um deles com os quatro pães.

Fósforos.

 

Ajoelhe-se em frente a vela com suas mão abertas no gesto de invocação. Imagine o espirito brilhante de Bríghid em seu aspecto triplo. A Bríghid no centro é uma guerreira. Ela é a defensora da casa e da lareira. Está escrito que na Batalha de Allen (Irlanda, 772 d.C.) ela apareceu sobre os guerreiros de Leinster como uma Deusa da Guerra e destruiu as forças inimigas. Em sua mão esquerda ela está segurando uma lança, na outra ela tem uma chama. Fale:

Tógfaidh mé mo thinne inniu

i láthair na nDéithe naofa neimhe,

i láthair Bríd is áille cruth,

i láthair Lugh na n-uile scéimh,

gan fuath, gan tnúth gan formad,

gan eagla gan uamhan neach faoin ngréin,

agus NaohmMháthair dom thearmann.

A Dhéithe, adaígí féin i mo chroí istigh aibhleog an ghrá

Dom namhaid, do mo ghaol, dom chairde,

don saoi, don daoi, don tráill,

ón ní ísle crannchuire

go dtí an t-ainm is airde.

Tradução:

“Eu construo meu fogo hoje na presença dos Deuses Sagrados do Céu, na presença de Bríghid de bela forma, na presença de Lugh de todas as belezas, sem ódio, sem inveja, sem ciúmes, sem medo ou horror de ninguém sob o sol, pois meu refugio é a Mãe Sagrada.

Ó Deuses, acendam o fogo de amor dentro do meu coração, por meus inimigos, por meus parentes, por meus amigos, pelo sábio, pelo ignorante, e pelo escravo, da coisa mais humilde até o nome mais alto.”

(Baseado num poema tradicional; é possível encontrar o original no An Duanaire)

 

Acenda o fogo, levante o fósforo, como se fosse o fogo divino dos Deuses, baixe a chama e acenda a vela.

Invocação de Brigid:

O povo fala:

A Bhríd bheannaithe

‘s a Mháthair Déithe

‘s a Mháthair Daoine.

Go sábhála tú mé

ar gach uile olc,

Go sábhál tú mé

idir anam is chorp.

Tradução:

Ó Brigid abençoada,

Mãe de Deuses,

Mãe dos Homens,

Me salva de cada mal,

Me salva, alma e corpo.

 

A sacerdotisa coloca seu xale sobre a cabeça e fala:

A Bríd bhuach,

Glaoim (Glaomaid) thú,

a Bhandia Mhór,

ó do áit leis na Tuatha Dé Dannan.

Banfhile na nDéithe,

Cosantóir an Teallaigh,

Banbhreitheamh na bheatha

Tradução:

“Ó Brigid vitoriosa,

Eu a convido (convidamos) você,

Grande Deusa,

de seu lugar com as Tuatha Dé Dannan.

Poetisa dos Deuses,

Defensora da Lareira,

Juíza da Vida.”

 

A sacerdotisa oferece o leite, colocando-o no copo vazio perto da vela.

Então ela coloca três pães no prato para pães, e o coloca próximo da vela. Ela faz uma oração simples rogando à Deusa para aceitar a oferenda do leite e do pão. Depois ela faz uma oração para abençoar o restante do pão e leite que os participantes dividirão. Com seus braços cruzados sobre o peito ela fala:

“Ó Deusa Bríghid,

Prepara nossas corações

Para que o amor possa viver.

No mundo escuro

Que sempre tenhamos tua Luz.

Que teu manto

cubra essa família,

No meio do inverno

Que teu fogo aqueça.

Nossas vidas são uma só vida

Nossos sonhos, um só sonho.

Que meu povo divida na vida

e sempre conheça tua bondade.

(Ó Mãe de Deuses)

Defenda-nos com teu escudo

Vigia-nos com teu olhos.

Deixa meu povo ser teu povo,

Seja no mar ou na terra.

O cordeiro sempre correrá para a ovelha,

O pequeno pássaro sempre chorará por comida,

O bezerro sempre procurará a vaca,

E Bríghid sempre estará conosco.”

 

A sacerdotisa toma um pouco do leite e pão, e o passa para os outros participantes. Eles bebem o leite e comem o pão. Deixe a vela acesa por algum tempo. Depois, a sacerdotisa se ajoelha em frente à vela com as mão abertas. Ela faz uma oração de agradecimento para Bríghid. Depois ela diz:

Coiglím an tine seo leis na fearta a fuair na Draoithe.

Na Déithe á conlach, nár spiúna aon námhaid í.

Go ndéana Bríd díon dár dtigh,

dá bhfuil ann istigh,

dá bhfuil as amuigh.

Claímh Nuadha ar an doras

go dtí solas an lae amárach.

Tradução:

“Eu apago este fogo com os poderes dos Druidas

Os deuses o guardam, nenhum inimigo o dispersa.

Bríghid seja o teto sobre nossa casa,

Para todos dentro,

E para todos fora.

A espada de Nuadha na porta,

Até a luz da manhã.

 

Apague o fogo. Todos falam:

Slán leat, a Bhríd!

 

O ritual acabou. Todos se abraçam e dizem:

Na Déithe dhuit ou Beannacht na nDéithe ort.

 

Por Robert Kaucher, para a Ordem Druídica do Brasil; revisado e postado com a permissão do autor por Wallace Cunobelinos.

Brighid