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Arte de IcKessler

A Anciã de Beare disse, quando a senilidade a atingiu:

O refluxo veio a mim como ao mar;
a velhice me acovardou;
embora eu possa sofrer com isso,
ela se aproxima do seu alimento alegremente.

Eu sou Buí, a Anciã de Beare;
Eu costumava usar uma bata que estava sempre nova;
hoje me ocorreu, por razão do meu desprezível estado,
que eu poderia não ter sequer uma bata para vestir.

São as riquezas
que vocês amam, e não as pessoas;
quanto a nós, quando vivíamos,
eram as pessoas que amávamos.

Amadas eram as pessoas
sobre cujas planícies nós cavalgamos;
bem estivemos quando entre elas
e elas pouco se vangloriavam após.

Hoje, de fato, vocês são bons em pedir,
e não são generosos ao conceder o pedido;
embora seja pouco o que concedem,
muito vocês se vangloriam.

Velozes carruagens
e corcéis que levavam o prêmio,
houve, por um tempo, uma multidão deles:
uma benção sobre o Rei que os concedeu!

Meu corpo, cheio de amargura,
busca ir para uma morada onde é conhecido:
quando o Filho de Deus considerar que é a hora,
que Ele venha para levar Seu penhor.

Quando meus braços são vistos,
todos alvos e magros!
– a arte que eles costumavam praticar era agradável:
elas costumavam ser sobre gloriosos reis.

Quando meus braços são vistos,
todos alvos e magros,
eles não são, eu declaro
dignos de se erguerem ao redor de belos jovens.

As donzelas são alegres
quando chegam ao dia de Maio (Beltane);
a dor é mais apropriada a mim:
Eu não sou apenas uma miserável, mas uma velha mulher.

Eu não digo palavras de mel
nenhum carneiro é morto para meu casamento;
meu cabelo é escasso e cinzento,
ter um parco véu sobre ele não traz arrependimento.

Ter um véu branco
sobre minha cabeça não causa lamento;
muitas coberturas de todas as cores
estiveram em minha cabeça enquanto bebíamos boa cerveja.

Eu não invejo nenhum velho,
a não ser apenas Feimen;
quanto a mim, tenho usado as vestes de uma velha;
a colheita de Feimen ainda está amarela.

A Pedra dos Reis em Feimen,
forada de Rónan em Bregun,
faz muito tempo desde que as tempestades alcançaram suas colinas;
mas elas não estão velhas e murchas.

Eu sei o que eles estão fazendo:
Eles ceifam e ceifam;
os juncos de Ath Alma,
fria é a morada onde dormem.

Ai de mim hoje,
que não navego sobre o mar da juventude!
Muitos anos da minha beleza se foram,
pois minha tentação se acabou.

Ai de mim hoje!
Agora, para qualquer névoa que haja,
eu devo botar meu manto mesmo quando o sol brilha:
a idade está sobre mim: eu mesma reconheço isso.

Verão da juventude em que estivemos
eu passei com seu outono;
inverno da idade que oprime a todos,
seus primeiros meses vieram para mim.

Eu passei minha juventude no começo;
eu estou satisfeita com minha decisão:
embora meu salto além do muro tenha sido pequeno,
o manto não teria continuado ainda novo.

Encantador é o manto de verde
que meu Rei estendeu sobre Drumain.
Nobre é aquele que a alcança;
Ele colocou lã sobre ela, apesar das roupas ásperas.

Eu sou fria, de fato;
cada bolota está condenada à decadência.
Após banquetear à luz das velas
a estar nas trevas de um oratório!

Eu tive meu dia com reis,
bebendo hidromel e vinho;
agora eu bebo leite aguado
entre bruxas velhas enrugadas.

Que uma pequena taça de leite aguado seja minha cerveja;
que qualquer coisa que possa me aborrecer seja a vontade de Deus;
rezando a ti, oh Deus vivo,
que eu dê … contra a raiva.

Eu vejo sobre minha capa as manchas das eras;
minha razão começou a me enganar;
cinzento é o cabelo que cresce por minha pele;
a decadência de uma árvore antiga é assim.

Meu olho direito me foi tirado
para ser vendido por uma terra que será para sempre minha;
o olho esquerdo foi tomado também,
para tornar minha reivindicação sobre aquela terra mais segura.

Há três inundações
que se aproximam do forte de Ard Ruide:
uma inundação de guerreiros, uma inundação de corcéis,
uma inundação de mastins dos filhos de Lugaid.

A onda da cheia
e a do veloz refluxo:
o que a onda da cheia traz
a onda do refluxo tira da sua mão.

A onda da cheia
e a segunda onda que é o refluxo:
todas vieram a mim
então eu sei como reconhecê-las.

A onda da cheia
que o silêncio da minha cela não venha a ela!
Embora minha companhia no escuro seja grande,
uma mão foi posta sobre toda ela.

Teve o Filho de Maria
o conhecimento de que Ele estaria sob o pilar da minha cela!
Embora eu não tenha praticado a liberalidade de nenhuma outra forma,
eu nunca disse “Não” a alguém.

É totalmente triste
(o homem é a mais baixa das criaturas)
o refluxo não foi visto
quando a cheia o foi.

Minha cheia,
guardou bem o que foi depositado comigo.
Jesus, Filho de Maria, o salvou
até o refluxo, então eu não estou triste.

É bom para uma árvore do grande mar:
a cheia vai a ela, e depois seu refluxo;
quanto a mim, eu não espero
que alguma cheia após o refluxo venha a mim.

Hoje mal há
uma moradia que eu possa reconhecer;
o que havia na cheia
está tudo refluindo.

FONTE:
Murphy, Gerard. Early Irish Lyrics: Eight to Twelfth Century. Oxford: OUP 1956; versão em português por Wallace Cunobelinos