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do  Liber Flavus Fergusiorum (Royal Irish Academy)

tradução para o inglês por E.J. Gwynn; versão em português por Wallace Cunobelinos

Houve um tempo em que Aed Oridnide, filho de Niall Frossach, filho de Feargal, filho de Maelduin, veio para estabelecer a ordem na província de Connacht. Ele cruzou Eas Ruaid, e seus servos de mesa e seus chifres de beber ali foram perdidos. Aed chegou a Corca Tri, e descansou na casa do rei de Corca Tri. Cinquenta dos reis de Erin acompanhavam Aed.

Aed teve uma refeição na noite de domingo com os reis: mas embora comesse, ele não bebia um gole sequer, pois ele não tinha um chifre de beber, porque seus chifres e seus quaighs haviam sido perdidos em Ath Enaig, acima de Eas Ruaid, enquanto o exército passava. Era seu modo nunca beber um gole sequer de outro copo, desde que fora desmamado de sua mãe, a não ser de um único chifre. Uma angústia veio ao rei de Corca Tri e sua consorte, pois todos deviam estar bebendo e o rei de Erin se recusava. Angal levantou suas mãos para Deuses, e persistiu sem dormir ou comer até o amanhecer. E na manhã seguinte sua esposa disse a ele: ‘Vai’, disse ela, ‘a Guaire mac Colmain em Durlas (pois aquela era a casa da hospitalidade e generosidade desde os tempos de Dathi) e descubra se você consegue um chifre através de sua rica hospitalidade’. Angal, rei de Corca Tri, saiu pela porta da fortaleza e seu pé direito tropeçou, de modo que uma pedra caiu de seu lugar no forte; e essa foi a pedra que cobria a boca da chaminé onde estavam os três chifres que eram os melhores na Irlanda; a saber, o Chifre Retorcido, o Litan, e o Enguia. Esses eram os cálices que foram trazidos do mar por Cormac ua Cuinn; e Nia mac Lugna Firtri, o segundo irmão-de-criação de Cormac ua Cuinn, os havia escondido após Cormac ser morto; e Cairbre Lifechair veio através do mar, e embora ele tenha encontrado os outros chifres, esses não foram encontrados até o tempo dos santos e de Aed Oridnide mac Neill. Pois um véu havia sido lançado sobre eles por Deus, até que Ele os descobriu para o rei de Corca Tri, pela razão da riqueza de sua hospitalidade.

Angal agradeceu a Deus, e levou os chifres embora, cheios de hidromel. Ele os colocou nas mãos de Aed Oirdnide, rei de Erin, que agradeceu a Deus, e colocou o Litan nas mãos do rei de Ulster, o Chifre-Enguia nas mãos do rei de Connacht, e reservou para si o Chifre Retorcido.

Depois disso ele passou para Maelsechlainn mac Domhnaill; e ele o ofertou a Deus e a Cíaran, juntos, até o Dia do Julgamento.

Finit

 

1-      Corca Tri é um nome tribal, aplicado ao território que incluía os atuais baronatos de Gallen (em  Mayo), e Leyny e Corran (em Sligo) (Anais dos Quatro Mestres, a 885: Martirologia de Oengus, Index). Corran é o irlandês Corann (Rev. Celt., xv. 477). Nosso texto diz que os chifres de Cormac  foram escondidos por Niamh mac Lugna & trit an dara comalta do Chormac. Isso é evidentemente uma corruptela. Os irmãos de criação de Cormac eram os filhos de Lugna Firtri, rei de Corann,  que protegeu a mãe de Cormac, Etan (Silva Gadelica, II. 286). Portanto eu emendei o texto substituindo o título sem significa & trit… por Firtri. ‘Nia mor mac Lugna Firtri’ é mencionado no Livro de Ballymote como o ‘filho da mãe de Cormac’: veja Irische Texte, III. 185, onde Lugdech surge como Lugna. Parece, então, que Etan foi tomada como esposa por Lugna, e deu a luz ao seu filho. Os dois irmãos de criação mencionados na Silva Gadelica, II.288, Ochomon e Nathnach, podem ter sido os filhos de Lugna com outra esposa. Como Corann é parte do território dos Corca Firtri, podemos assumir que Lugna Firtri, rei de Corann, pertencia a aquela tribo: provavelmente ele foi o seu rei, e ancestral do Angal que aparece na estória. A Genealogia dos Gailenga de Corann  é dada no Livro de Lecan, 427. Col. 3. Lugna Firtri é ali chamado de Lugna Fertri, e é dito que ele foi neto de Fiachu Suide, e descendia de Morann mac Lir. A explicação desse cognome dada no Coir Anmann (Ir. Texte, III. 382) é evidentemente fantasiosa.