I Conferência Paulista de Druidismo e Reconstrucionismo Celta

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E veio a Conferência Paulista de Druidismo e Reconstrucionismo Celta. Este foi, de longe, o ano mais produtivo e fascinante para o Druidismo brasileiro em muito tempo. O Encontro Nacional deixou as suas paragens típicas de sul e sudeste (que são, basicamente, uma ‘zona de conforto’) e migrou para as terras nordestinas, e as conferências regionais pipocaram por diversos estados. Apesar de cada conferência local ter o seu próprio tom, todas primaram por tentar unir as diferentes vertentes druídicas, e todas contaram com a extrema boa vontade de palestrantes que acreditam na cooperação e colaboração. Esse espírito é aquilo que julgamos ser realmente importante para a superação dos obstáculos para o espiritualidade céltica no Brasil no futuro. O evento foi organizado pelo Caer Itaobi, de São Paulo, e ocorreu no estúdio Terra da Juventude Espaço Artístico (conhecido pelo seu trabalho voltado à dança irlandesa, e propriedade de Ana Camilo, do Ramo de Carvalho), e que contou com o caráter beneficente (como vem se firmando nos eventos druídicos paulistanos), com a renda do evento e da prática de oráculos (realizadas pelas grandes oraculistas Juliana Couto, do Ramo de Carvalho e Caer Ynis Cara, e Sheilla Sabbag Uberti, do Caer Itaobi) sendo revertida para as ONGs Pata de Gato (contato:recalaka@gmail.com) e Catland, que cuidam de animais de rua na capital paulista.

E quanto ao evento? Ah, o evento. Ele foi um inegável sucesso, mas sem deixar de trazer lições importantíssimas para todos nós. Ele foi iniciado oficialmente com uma cerimônia druídica ‘ecumênica’ (pois carregava teores de várias tradições druídicas diferentes) guiada pelo grande João Eduardo Schleich Uberti (do Caer Itaobi); e foi algo especial pois, apesar do forte sol do lado de fora do estúdio, nos lembrou o verdadeiro motivo pelo qual estávamos lá: a espiritualidade, e o fato de os membros de todos os grupos de São Paulo (Caer Tabebuya, Caer Itaobi, Caer Siddi, e Ramo de Carvalho) presentes terem participado de forma ativa dele foi uma forma de integrar a todos. O evento começou com a palestra de Rowena Arnehoy Seneween (Car Siddi, São Paulo), com o tema “Tornando-se um Druida”; um tema apropriado para começar o evento, apresentando as razões (incluindo espirituais) para se abraçar o Druidismo e o caminho sacerdotal, e foi um belo começo. Quase cinquenta pessoas se aglomeravam no pequeno espaço do estúdio para assistir.

Após um pequeno intervalo, foi a vez do grande Marcílio Nemetios  Diniz (dos Brigaecoi, Paraíba), com o tema Terra e Sangue; a palestra de Marcílio era amplamente aguardada, pois seu trabalho envolve não apenas o estudo histórico, mitológico, e espiritual, mas também a filosofia e a política. E não houve decepção; a palestra de Marcílio foi profunda e reflexiva (como sempre), com o tipo de questionamento e ensinamento que fica com todos para sempre. Um tributo a todos os nossos Ancestrais. Houve mais um intervalo (e a providência divina guiou João enquanto este preparava o cronograma, pois o calor tornava esses pequenos intervalos mais do que necessários), antes do início da palestra de Marcos Reis (Caer Tabebuya e Clann an Samaúma) e Wallace Cunobelinos (Ramo de Carvalho, sim, eu), falando sobre práticas diárias dentro do Druidismo; a escolha de uma palestra conjunta comigo e com Marcos vêm se repetindo nos eventos paulistanos por um motivo: por possuirmos visões e linhas de estudo profundamente diferentes uma palestra conjunta sempre se torna muito ampla. Apesar da diferença de abordagem, Marcos e eu temos muito das mesmas visões e objetivos, e por isso nossas atividades conjuntas nunca resultam em antagonia, mas em complemento; e falamos muito sobre o que é ser uma praticante de Druidismo, sobre o que é praticar a espiritualidade céltica no dia-a-dia, fora dos ritos sazonais ou com propósitos específicos.

Um novo intervalo (necessário, pois foi um dos dias de inverno mais quentes que já vi em São Paulo, e eu vivo aqui desde sempre…), e foi a vez do nosso convidado de fora do meio pagão, Gustavo Lobão que, junto com parte de sua banda (Óran), nos ensinou sobre as características básicas da música irlandesa (bem como o desenvolvimento do termo ‘música celta’, que quase nada tem a ver com os celtas, afinal), além de nos prover um workshop profundamente musical, o que foi do agrado de todos (pois, ‘celta’ ou não, a música tradicional das regiões associadas a eles é algo que a grande maioria dos membros da nossa comunidade aprecia). No final, foi a vez de Ana Camillo (Ramo de Carvalho) e os alunos do estúdio Terra da Juventude nos mostrarem um pouco da dança tradicional irlandesa, uma apresentação magistral como sempre, e mais interessante ainda por ser realizada junto com a música do Óran, o que tornou tudo mais natural, orgânico, vívido, e com clima de céillidh; só faltou uma Guinness…

O final do evento se aproximava, e João agradeceu a todos pela presença; um sorteio foi realizado, tendo como prêmio uma flauta tin whistle (tradicional da música irlandesa), e a vencedora foi nossa amiga Andréa Guimarães (Caer Tabebuya). E ao final, houve uma mentalização em prol daqueles que estavam ajudando na busca e resgate de filhotes que tinham sido soterrados na demolição de um abrigo para dar lugar a uma igreja. Um momento triste, mas de conscientização, algo comum a pessoas de espiritualidade animista. O evento foi ótimo, e aprendemos muito com ele. E o próximo já está sendo planejado, e todas as críticas e sugestões serão levadas em consideração. No momento, só tenho a agradecer a presença de todos. Nos vemos na próxima! Faoí Síochain!

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