I Conferência Druídica do Rio de Janeiro

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Se podemos descrever a I Conferência Druídica do Rio de Janeiro de alguma forma, essa forma seria: vitória. Uma vitória do Druidismo, que consegue firmar mais um evento em território nacional, que consegue integrar uma vez mais as suas diversas vertentes e grupos, que pode uma vez mais aparecer para o público geral de forma unida e responsável; uma vitória da organização, que se dispôs a criar o evento e o deixar impecável, com uma belíssima escolha de local, material, e também com uma seleção diversificada de palestrantes; e uma vitória para os palestrantes, que puderam conhecer um pouco mais o público carioca e descobrir o quão receptivo e agradável ele é.

O evento ocorreu no dia 16 de Agosto no Hotel Regina, e foi organizado pela Escola Gergóvia e Ordem Drunemeton. O clima estava agradável (pelo menos para o paulista aqui; parece que os cariocas estavam com um pouco de frio), e o público era numeroso: quase cinquenta pessoas estavam acomodadas nas cadeiras, e mais gente chegava; um ótimo presságio. Foi muito bom encontrar o público carioca, foi muito bom encontrar velhos amigos (a organizadora Bandruir, Marcos Reis de São Paulo, Alexandre Malhado e Cecília Lóes de Brasília, e foi muito bom conhecer pessoalmente bons amigos do meio virtual, como Wotan Edson, Anna Leão, Mário César Gigante. Tudo conspirava por um grande evento.

A primeira palestra foi realizada pela organizadora, Bandruir, que nos deu uma rápida introdução ao Druidismo, algo importantíssimo para as Conferências regionais, pois muitas vezes o público não tem a menor experiência prévia com a religião celta antiga. A palestra de Bandruir foi curta, mas muito efetiva e foi ótima para deixar a todos no clima apropriado. A seguir veio a palestra com esse cão paulista que vos late, Wallace Cunobelinos, do Ramo de Carvalho, falando sobre a arte da magia verbal entre os celtas, sobre encantamentos, orações, e formas de tecer a magia com as palavras; foi a primeira vez que palestrei para o público carioca, e fiquei muito feliz com a receptividade. Agradeço à organização de coração pelo convite. Então, veio um momento de relaxamento com a chegada de Scott Fraga e sua gaita-de-foles, que nos deliciou com a bela música, principalmente das regiões da Bretanha e da Galícia; foi uma honra acompanhar a ele e o Marcos Reis (bodhrán) com a pandeirola. E foi uma ótima introdução para a palestra de Cecília Lóes (da ordem Vozes do Bosque Sagrado, de Brasília), falando sobre o Corpo Sagrado, o primeiro templo de cada um de nós, e sobre como mantê-lo em equilíbrio; uma palestra muito elucidativa e que caiu muito bem pouco antes do almoço. Ainda antes do almoço, um diferencial do evento foi a apresentação das canções ritualísticas utilizadas pela Escola Gergóvia, um pouco das práticas dos nossos anfitriões, e a primeira delas foi em honra ao Bom Deus, o poderoso Dagda; foi muito bom cantar uma vez mais essa canção, dessa vez junto ao empolgado público carioca, que participou com toda a força e vontade.

O retorno do almoço contou com a palestra do Marcos Reis (de São Paulo), o conhecido ‘xamã’ do meio druídico, e sua atividade focou nos animais de poder e sua relação com o Druidismo; Marcos, como sempre, mostrou competência, simpatia, e um grande domínio do tema. Após mais uma atividade de música e dança da Gergóvia, foi a vez de Alexandre Malhado (também da ordem Vozes do Bosque Sagrado) falando sobre como vivenciar o Sagrado no cotidiano; uma palestra essencial, pois nem só de ritos sazonais ou atividades fechadas em clãs, ordens e grupos vive o Druidismo, mas ele (como qualquer outra forma de religião) deve ser vivenciado no dia-a-dia; e Malhado se saiu muito bem, como era de se esperar. Então foi a vez  de Ynis Epona, da Ordem Drunemeton, com uma excelente palestra sobre os ciclos anuais entre os celtas, que também culminou com uma vivência onde cada uma das partes desse ciclo puderam ser vivenciadas por cada um dos presentes.

O evento se aproximava do fim, e ainda tivemos uma roda de perguntas e respostas com os participantes, infelizmente encurtada, pois a quantidade de participantes era muito grande, mas foi bastante elucidativa. E o final foi um grande presente: o bretão Mickael coordenou uma maravilhosa An Dro (um tipo de dança coletiva bretã) para o público, falando um pouco sobre as práticas do folclore de sua terra natal, e a ligação da dança com as Korrigane, entidades místicas que habitam as florestas bretãs. Nada mais apropriado para coroar o espírito tribal céltico e para encerrar o evento, guiados pela gaita de Scott Fraga e pelo bodhrán de Marcos Reis. Agradeço o convite de Bandruir para participar da I Conferência Druídica do Rio de Janeiro, e posso dizer que foi uma honra; desfrutei de cada momento, foi uma honra. E que esse evento seja o primeiro de muitos, para fortalecer ainda mais o Druidismo na Cidade Maravilhosa, que faz jus ao nome não só pela sua beleza, mas também pela simpatia e receptividade de seu povo. Até breve a todos!!

 

 

 

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