Labara Keltika

Falar de um idioma chamado Proto-Céltico é falar mais de uma suposição do que de um fato propriamente dito. Essa língua nunca foi realmente escrita em alguma parte do mundo, e hoje não sabemos nem mesmo em qual região ela teria se desenvolvido realmente (se é que um dia soubemos, uma vez que a teoria vigente mais conhecida hoje foi colocada em dúvida). Esse idioma pertenceria ao ramo Indo-Europeu, o tronco linguístico que seria a origem da grande maioria dos idiomas ocidentais (dentre eles os Latinos); desse tronco muitas ramificações se espalhariam (Latino, Germânico…), e o Céltico seria uma delas. Com o tempo cada um desses galhos se ramificaria em outros idiomas, distanciando-se mais tanto do seu ramo de origem quanto do seu tronco Indo-Europeu. Portanto o Proto-Céltico seria um hipotético ancestral das línguas do ramo céltico, seu ramo de origem, algo semelhante ao que o Latim é para as línguas neolatinas: todas o possuem como ancestral comum, não importando se é o Português, Espanhol, Francês, ou seus numerosos dialetos; porém o tempo, a separação geográfica, e o intercâmbio com outros idiomas tornaram essas línguas distintas, ainda que aparentadas; quanto mais cedo essas línguas se separaram do Proto-Céltico, maior quantidade de arcaísmos conservaram, contudo. Desde os primeiros estudos sobre as línguas do ramo céltico o parentesco entre elas se tornou óbvio, e não apenas o parentesco de idiomas com uma separação que poderia até mesmo ser apontada historicamente (como no caso do ramo Gaélico, do Irlandês, Gaélico Escocês e Manquês; ou o Britônico, do Galês, Córnico e Bretão) , mas também entre os seus próprios ramos linguísticos (no caso, os já citados Gaélico e Britônico), o que sugeria uma ancestralidade comum para todas elas. Seu léxico e estruturas eram simplesmente muito similares para ser coincidência, e as diferenças eram fáceis de ser explicadas por fenômenos linguísticos bem conhecidos; a questão era a sua origem, o local todas essas línguas haveriam se originado.

Um artigo sobre a evolução dos estudos das línguas do ramo Céltico não é o objetivo aqui, por isso faremos apenas um pequeno resumo. A origem das línguas célticas estava na Europa continental, como parece óbvio; os estudos sobre o Gaulês comprovaram o seu parentesco com os ramos insulares, incluindo fornecendo base para estudos aprofundados de morfologia. A quantidade de inscrições gaulesas (em alfabeto Latino, Grego e no chamado Alfabeto de Lugano, uma variação do Etrusco) mostrou também uma língua que se transformava com o tempo, com variações na estrutura e sintaxe. Com o tempo, o dialeto Lepôntico foi separado do Gaulês, sendo então visto como uma língua céltica em estágio ainda mais arcaico (sua atestação mais antiga data de aproximadamente 575 a.C.). Os estudos do Indo-Europeu sugeriram uma proximidade dos ramos Céltico e Itálico, sendo que o que nos interessa teria nascido na Europa Central, e de lá se deslocado para o oeste e norte. A descoberta das inscrições Ibéricas trouxe dúvidas, uma vez que mostravam uma língua céltica com uma estrutura mais arcaica (mais próxima ao estágio mais arcaico do Gaulês e do Lepôntico), tanto na fonética (manutenção do *kw indo-europeu, que se transforma em *p no gaulês) quanto na sintaxe; porém, essas características não eram o bastante para negar a teoria anterior, uma vez que podiam ser apenas mutações locais, influenciadas pelos dialetos ibéricos anteriores (e por serem inscrições bem mais recentes, a mais antiga datando de aproximadamente 179 a.C.). Em tempos mais recentes, contudo, novas teorias arqueológicas tem apontado para uma origem dos celtas no extremo ocidente europeu, e a descoberta do Tartéssico (no extremo ocidente da Ibéria) pode ser uma comprovação destas, uma vez que seria o mais antigo idioma céltico registrado (com inscrições datando dos séculos VII e VIII a.C., utilizando uma variação do alfabeto fenício); porém ainda não há uma certeza absoluta de que o idioma seja céltico, ou mesmo indo-europeu.

Essa breve descrição sobre os estudos de idiomas célticos antigos tem por objetivo mostrar que qualquer tentativa de situar um local específico para o Proto-Céltico é algo temerário e arbitrário. Muito provavelmente haviam vários dialetos célticos primitivos regionais, cada qual se desenvolvendo separadamente; mas a coesão lexical e estrutural entre eles (excluindo ainda o Tartéssico) ainda fala por um forte parentesco entre eles, e um possível período de entendimento mútuo entre diferentes regiões (mesmo que não todas). A Labara Keltika (‘Fala Céltica’) é uma tentativa de recriar um pouco da linguagem desse período, sem se focar em uma região específica; um “Proto-Céltico Geral”, se é possível chamar assim, usando os elementos comuns a várias regiões. Muito da sua estrutura é fortemente influenciada pelos estágios mais arcaicos do Gaulês e do Celtibérico, na busca de alcançarmos um ponto ‘pré-Gaulês’, isto é, antes do Gaulês se desenvolver totalmente como idioma com características próprias (como a troca do *kw indo-europeu pelo p; ou a Tau Gallica…). A semelhança entre os idiomas indo-europeus da Era Clássica nos permite utilizar uma estrutura inspirada em cursos de Latim (Gradus Primus) e Grego Clássico (Propedêutica) para o nosso trabalho, o que facilita bastante a compreensão. Espero que possam aproveitar o curso, e utilizar o idioma para seus projetos e espiritualidade. Que isso lhes seja útil.

Wallace Cunobelinos, com a colaboração de Condēṷi̭os Andīliχtos (Manuel), da página Celtocrabiion.

Celtibérico

(em breve)

Gaulês

(em breve)

Britônico

(em breve)

Britônico Arthuriano

(em breve)

Gaeilge Ársa

(em breve)

Sengoidelc

(em breve)