Em tempos passados, viveu em Penllyn um homem de nobre linhagem, chamado Tegid Voel, e sua morada ficava no meio do lago Tegid, e sua esposa era chamada Ceriddwen. E por ele nasceu para sua esposa um filho chamado Morvran ab Tegid, e também uma filha chamada Creirwy, a mais bela donzela no mundo era ela; e eles tinham um irmão, o mais desfavorecido homem no mundo, Avagddu. Então, Ceriddwen, sua mãe, pensou que não era provável que ele fosse admitido entre homens de nobre nascimento, por sua feiura, a não ser que ele tivesse alguns méritos ou conhecimento exaltados. Pois isso foi no início dos tempos de Arthur e da Távola Redonda.

Cerridwen

Então ela resolveu, de acordo com as artes dos livros dos Fferyllt, cozinhar um Caldeirão de Inspiração e Conhecimento para seu filho, para que sua recepção pudesse ser honrosa pelo seu conhecimento dos mistérios do futuro estado do mundo.

Então ela começou a cozinhar o caldeirão que, após o início de seu cozimento, não poderia cessar de cozer por um ano e um dia, até que três gotas abençoadas fossem obtidas da graça de Inspiração.

E ela colocou Gwion Bach, o filho de Gwreang de Llanfair em Caereinion, em Powys, para mexer o caldeirão, e um homem cego chamado Morda para acender o fogo sob ele, e ela os colocou para que eles não o deixassem de cozer pelo espaço de um ano e um dia. E ela mesma, de acordo com os livros dos astrônomos e nas horas planetárias, coletava todos os dias  várias ervas de propriedades mágicas.  E um dia, próximo do final do ano, quando Ceriddwen estava coletando ervas e preparando encantos, ocorreu de três gotas do liquido encantado saltarem do caldeirão e caírem sobre o dedo de Gwion Bach. E por sua alta temperatura, ele colocou seu dedo na boca e no instante que ele colocou aquelas gotas miraculosas em sua boca, ele previu tudo o que aconteceria, e percebeu que sua maior preocupação era se proteger contra os truques de Ceriddwen, pois vasto era o conhecimento dela. E, em um medo muito grande, ele fugiu em direção a sua própria terra. E o caldeirão se partiu em dois, porque todo o liquido dentro dele, exceto as três gotas encantadas, era venenoso, então os cavalos de Gwyddno Garanhir foram envenenados pela água do córrego para o qual o líquido correu, e curso daquele riacho foi chamado de Veneno dos Cavalos de Gwyddno daquele dia em diante.

Então veio Ceriddwen, e ela viu todo o trabalho do ano inteiro perdido. E ela pegou um toco de madeira e acertou o cego Morda na cabeça até que um de seus olhos caiu sobre sua bochecha.  E ele disso, “Foi erradamente que tu me desfiguraste, pois eu sou inocente. Tua perda não foi por minha causa.” “Tu falas a verdade,” disse Ceriddwen, “ foi Gwion Bach que me enganou.”

E ela partiu atrás dele, correndo. E ele a viu, e se transformou em uma lebre e fugiu. Mas ela se transformou em um mastim e o cercou. E ele correu em direção a um rio, e se transformou em um peixe. E ela, na forma de uma lontra, o caçou debaixo da água, até que ele conseguiu se transformar em um pássaro do ar. Ela, como um falcão, o seguiu e não lhe deu descanso no céu. E bem quando ela estava prestes a mergulhar sobre ele, e ele estava com medo da morte, ele viu uma pilha de trigo em grão no chão de um celeiro, e ele mergulhou em meio ao trigo e se transformou em dos grãos.  Então ela se transformou em uma galinha negra de crista alta, e foi ao trigo e ciscou com seu pé, e o encontrou e engoliu. E, como a história diz, ela o manteve por nove meses, e quando ela o pariu, ela não conseguiu encontrar em seu coração a coragem para mata-lo, em razão de sua beleza. Então ela o embalou em uma bolsa de couro, o jogou no mar, para a misericórdia de Deus, no vigésimo nono dia de abril.

E naquele tempo, a represa de Gwyddno sobre o curso entre Dyvi e Aberystwyth, próxima ao seu próprio castelo, e o valor de cem libras era pescado daquela represa em cada véspera de Maio. E naqueles dias, Gwyddno tinha um único filho chamado Elphin, o mais infeliz dos jovens, e o mais necessitado. E isso pesava como uma ferida ao seu pai, pois ele pensava que o filho havia nascido em uma hora maligna. E por aconselhamento de seu conselho, seu pai lhe garantiu o lucro da represa naquele ano, para ver se alguma boa sorte recairia sobre ele, e para lhe dar algo com o qual começar o mundo.

E no dia seguinte, quando Elphin foi olhar, não havia nada na rede. Mas quando ele se virou, percebeu a bolsa de couro sobre uma estaca da represa. Então disse um dos guardas da represa para Elphin, “Tu nunca foste tão desafortunado quanto esta noite, e agora tu destruíste as virtudes da represa, que sempre proveu o valor de cem libras a cada véspera de Maio, e essa noite não há nada além dessa bolsa de couro nela.” “Como agora,” disse Elphin, “pode haver alguma dentro no valor de cem libras.” Bem, eles pegaram a bolsa de couro, e aquele que a abriu viu a testa do garoto, e disse a Elphin, “Veja que fronte radiante!” “Taliesin seja ele chamado,” disse Elphin. E ele levantou o garoto em seus braços, e lamentando seu azar, ele o colocou tristemente atrás de si. E ele fez seu cavalo galopar gentilmente, quando antes ele poderia estar trotando, e ele o carregou tão suavemente como se estivesse sentado na cadeira mais confortável de todo o mundo. E então o garoto fez uma Consolação e um louvor para Elphin, e previu honra para ele; e a era Consolação, como você pode ver:

“Belo Elphin, cesse o lamento!

Que ninguém esteja insatisfeito consigo mesmo,

Desespero não trará nenhuma vantagem.

Nenhum homem vê o que o apoia;

O oração de Cynllo não será em vão;

Deus não violará sua promessa.

Nunca na represa de Gwyddno

Houve tanta boa sorte como nessa noite.

Belo Elphin, seque tuas bochechas!

Estar tão triste não será em vão,

Embora tu penses não ter nenhum ganho

Tanta dor não trará a ti nenhum bem;

Nem a dúvida dos milagres do Todo Poderoso:

Embora eu seja apenas um pequeno, eu sou altamente dotado.

Dos mares, e das montanhas,

E das profundezas dos rios,

Deus traz riqueza ao homem afortunado.

Elphin de vívidas qualidades,

Tua interpretação não é viril;

Tu não deves estar sob tristeza:

Melhor confiar em Deus para proibir o mal.

Fraco e pequeno como sou,

Na espumante costa do oceano,

No dia da dificuldade eu devo ser

De mais serviço a ti do que trezentos salmões.

Elphin de notáveis qualidades,

Não seja desagradado nesse teu infortúnio:

Embora encostado assim, fraco em minha bolsa,

Há virtude em minha língua.

Enquanto eu continuar teu protetor

Tu não terás muito o que temer;

Lembrando os nomes da Trindade,

Ninguém será capaz de ferir a ti.” E esse foi o primeiro poema cantado por Taliesin, sendo para consolar Elphin em sua dor pela produção da represa ter sido perdida, e, o que era pior, que todo o mundo consideraria que aquilo fora por sua falta e má-sorte. E então Gwyddno Garanhir* lhe perguntou o que ele era, se era homem ou espírito. Ao qual ele cantou esse conto, e disse, —

“Primeiro, eu fui formado uma bela pessoa,

Na corte de Ceridwen eu prestei penitência;

Embora pequeno eu fosse, placidamente acolhido,

Eu fui grandioso no solo do lugar ao qual eu fui levado;

Eu fui uma defesa valorizada, a doce musa a causa,

E pela lei sem fala, eu fui liberado

Por uma risonha velha anciã negra, quando irritada

Terrível seu chamado quando perseguia:

Eu fugi com vigor, eu fugi como um sapo,

Eu fugi na forma de um corvo, quase não encontrando descanso

Eu fugi veementemente, eu fugi como uma corrente,

Eu fugi como uma corça em um espesso emaranhado

Eu fugi como um filhote de lobo, eu fugi como um lobo em selvageria,

Eu fugi como um tordo de portentosa linguagem

Eu fugi como uma raposa, acostumada a muitas intempéries simultâneas

Eu fugi como uma andorinha, o que não foi proveitoso

Eu fugi como um esquilo, que em vão se esconde,

Eu fugi como uma galhada de cervo, de contorno vermelho,

Eu fugi como o ferro em um fogo brilhante,

Eu fugi como uma cabeça de lança, de dor para aquele que tem desejo por ela

Eu fugi como um feroz touro horrivelmente lutando,

Eu fugi como um javali crespado visto em uma ravina,

Eu fugi como um grão branco de puro trigo

Sobre a barra de uma capa de cânhamo trançada,

Que parecia do tamanho de um potro de uma égua,

Que a preenchia como um navio sobre as águas

Dentro de uma escura bolsa de couro eu fui lançado,

E no mar sem fronteiras eu fui colocado;

O que era para mim um agouro de estar sendo ternamente embalado,

E o Senhor Deus me pôs em liberdade.

Então foi Elphin para a casa ou corte de Gwyddno, seu pai, e Taliesin com ele. E Gwyddno lhe perguntou se ele tinha tido uma boa pesca na represa, e ele lhe disse que ele tinha recebido aquilo que era melhor do que peixe. “O que foi isso?” disse Gwyddno.  “Um Bardo,” respondeu Elphin. Então disse Gwyddno, “Ai de mim, em que ele vai lhe ajudar?” E o próprio Taliesin respondeu e disse, “Ele vai ajuda-lo mais do que a represa já lhe ajudaste.” Perguntou Gwyddno, “És tu capaz de falar, sendo tão pequeno?” E Taliesin lhe respondeu, “Eu sou melhor em falar do que tu em me questionar.” “Deixe-me ouvir o que tu podes dizer,” disse Gwyddno. Então Taliesin cantou, —

“Na água há uma qualidade embebida com uma benção

Em Deus é mais justo meditar por certo;

A Deus é próprio suplicar com seriedade,

Uma vez que nenhum obstáculo pode haver para obter uma recompensa dele.

Três vezes eu nasci, eu sei por meditação;

Foi miserável para uma pessoa não vir e obter

Todas as ciências do mundo, coletadas juntas em meu peito,

Pois eu sei o que foi, o que no futuro ocorrerá.

Eu suplicarei ao meu Senhor para que tenha refúgio nele,

Uma estima eu devo obter em sua graça

O Filho de Maria é minha confiança, grande nele é meu deleite,

Pois nele está o mundo continuamente preservado.

Deus tem me instruído e elevado minha expectativa,

O verdadeiro Criador do céu, que me fornece proteção

É certamente predestinado que os santos devem orar diariamente,

Pois Deus, o renovador, vai levá-los até ele.”

E então Elphin deu sua pesca a sua esposa, e ela cuidou dele ternamente e amavelmente. Dali em diante, Elphin cresceu em riqueza mais e mais, dia após dia, e em amor e favor com o rei, e lá viveu Taliesin até que ele estivesse com treze anos de idade, quando Elphin filho de Gwyddno foi para um convite de Natal até seu tio, Maelgwn Gwynedd que, algumas vezes após isso, mantinha uma corte aberta na época de Natal no castelo de Dyganwy, para todo o número de seus lordes de ambos os graus, tanto espiritual e temporal, com uma vasta e amontoada hoste de cavaleiros e senhores de terra. E em meio a eles surgiu um discurso e discussão. E assim foi dito: “Há em todo o mundo um rei tão grande quanto Maelgwn, ou algum que o Céu tenha dado tantos dons espirituais como a ele? Primeiro, forma e beleza e docilidade e força, junto a todos os poderes da alma!” E junto com isso eles disseram que o Céu tinha um dado um presente que excedia a todos os outros, que era a beleza e a delicadeza e a graça e a sabedoria e a modéstia de sua rainha; cujas virtudes ultrapassavam às de todas as damas e donzelas nobres em todo o reino.  E com isso eles colocaram questões uns aos outros: Quem tinha os homens mais bravos? Quem tinha cavalos ou cães mais belos ou rápidos? Quem tinha bardos mais habilidosos ou sábios do que Maelgwn?

Retirado de www.lauriekleinarts.com/

Agora, naquele tempo os bardos estavam em grande favor com os exaltados do reino; e então ninguém mais conhecia o ofício daqueles que são agora chamados arautos, a menos que eles fossem homens de conhecimento, não apenas especialistas no serviço de reis e príncipes, mas estudiosos e bem versados na linhagem, e armas, e feitos de príncipes e reis, e em discussões sobre reinos estrangeiros, e as coisas antigas do reino, e principalmente nos anais dos primeiros nobres; e também eram preparados sempre com suas respostas em várias linguagens, Latim, Francês, Galês e Inglês. E junto a isso, eles eram grandes cronistas, e compiladores, e habilidosos em tecer versos, e prontos em tecer englyns* em cada uma dessas linguagens. Agora destes estavam presentes naquele banquete dentro do palácio de Maelgwn tantos quando vinte-e-quatro, e chefe de todos eles era um chamado Heinin Vardd.

Quando todos eles tinham dado a um fim a esses louvores ao rei e seus dons, ocorreu que Elphin falou dessa forma. “De uma verdade ninguém além de um rei pode competir com um rei; mas, não fosse ele um rei, eu diria que minha esposa era tão virtuosa quanto qualquer mulher no reino, e também que eu tenho bardo que é mais habilidoso do que todos os bardos do rei.” Em um curto espaço de tempo, alguns de seus companheiros mostraram ao rei tudo do que Elphin se gabava; e o rei ordenou que ele fosse jogado em uma forte prisão, até que ele pudesse conhecer a verdade quanto às virtudes de sua esposa e a sabedoria do seu bardo.

Agora, quando Elphin foi colocado em uma torra do castelo, com uma grossa corrente sobre seus pés (é dito que era uma corrente de prata, porque ele era de sangue real); o rei, como a história relata, mandou seu filho Rhun para perguntar pelo comportamento da esposa de Elphin. Então Rhun era o homem mais rude no mundo, e não havia nem esposa nem donzela com o qual ele tivesse conversa, mas apenas mal dito dele. Enquanto Rhun foi apressadamente em direção à morada de Elphin, estando totalmente devotado a trazer desgraça sobre sua esposa, Taliesin disse à sua senhora como o rei tinha posto seu mestre em penitência na prisão, e como Rhun estava vindo rapidamente para lutar para trazer desgraça sobre ela. Portanto ele fez com que sua senhora vestisse uma de suas  damas da cozinha com suas roupas; o que nobre dama alegremente fez; e ela carregou suas mãos com os melhores anéis que ela e seu marido possuíam.

Nesse disfarce Taliesin fez com que sua senhora colocasse a donzela para sentar na cabeceira de seu salão durante a ceia, e a fez parecer como sua senhora, e a senhora parecer com uma criada. E quando eles estavam na hora devida sentados para a sua ceia da maneira que foi dito, Rhun subitamente chegou à morada de Elphin, e foi recebido com alegria, pois todos os servos o conheciam claramente; e eles o levaram rapidamente para o salão de sua senhora, na forma a qual a criada se levantou da ceia e o recebeu alegremente. E após isso, ela se sentou à mesa novamente uma segunda vez, e Rhun com ela. Então Rhun começou a brincar com a aia, que ainda mantinha a aparência de sua senhora. E realmente essa história mostra que a donzela se tornou tão intoxicada, que ela caiu no sono; e a história relata que foi um pó que Rhun colocou em sua bebida que a fez dormir tão sonoramente que ela nem sentiu quando ele cortou de sua mão seu dedo mínimo, onde estava o anel assinalado de Elphin, que ele tinha mandado para sua esposa como uma lembrança pouco tempo antes. E Rhun retornou ao rei com o dedo e o anel como provas, para mostrar que ela a tinha cortado de sua mão, sem a acordar de seu sonho de destempero.

O rei se regozijou enormemente com essas notícias, ele mandou chamar seus conselheiros aos quais ele contou a história do começo. E ele fez com que Elphin fosse trazido de sua prisão, e ele o reprovou por causa de seu orgulho. E ele falou a Elphin dessa forma. “Elphin, seja conhecido a ti além de qualquer dúvida que apenas tolice para um homem confiar nas virtudes de sua esposa além do que ele pode ver; e para que tu estejas certo da vilania de tua esposa, veja seu dedo, com anel assinalado sobre ele, que foi cortado dela na última noite, enquanto  ela dormia o sono da intoxicação.” Então assim falou Elphin. “Com a tua permissão, poderoso rei, eu não posso negar meu anel, pois ele é conhecido por muitos; mas verdadeiramente eu asseguro fortemente que o dedo ao redor do qual ele está nunca esteve preso à mão de minha esposa, pois na verdade e certamente há três coisas notáveis relativas a ele, nenhuma das quais algum dia pertenceu a algum dos dedos de minha esposa. A primeira das três, que é certa, pela permissão de sua graça, que onde quer que minha esposa esteja no presente momento, seja sentada ou em pé, ou deitada, esse anel nunca permaneceria firme sobre seu polegar, enquanto vocês podem ver claramente que foi difícil passa-lo sobre a junta do dedo mínimo da mão de onde foi cortado; a segunda coisa é, que minha esposa nunca passou um sábado, desde que a conheci, sem aparar suas unhas antes de ir para a cama, e vocês podem ver totalmente que a unha desse dedo mínimo não é aparada há um mês. A terceira é, verdadeiramente, que a mão de onde esse dedo veio esteve amassando massa de centeio em um dos três dias antes de ser cortado, e eu posso assegurar à sua bondade que minha esposa nunca amassou massa de centeio desde que minha esposa ela se tornou.

Então o rei ficou extremamente furioso com Elphin por tão firmemente resistir a ele a respeito da bondade de sua esposa, portanto ele o mandou para sua prisão uma segunda vez, dizendo que ele não deveria ser libertado até que ele tivesse provado a verdade de seu orgulho, tanto a respeito da sabedoria de seu bardo quanto às virtudes de sua esposa.

Nesse meio tempo sua esposa e Taliesin permaneceram alegremente  na morada de Elphin. E Taliesin mostrou à sua senhora como Elphin estava aprisionado por causa deles, mas ele a fez se alegrar pois ele iria à corte de Maelgwn para libertar seu mestre. Então ela perguntou a ele de que maneira ele o libertaria. E ele a respondeu,

“Uma jornada irei realizar,

E para o portão eu vou chegar

O salão eu irei adentrar,

E minha canção eu cantarei;

Meu discurso irei pronunciar

Para silenciar os bardos reais.

Na presença do seu chefe,

Eu saudarei para zombar,

Sobre eles eu irromperei

E Elphin eu libertarei.

Deve a disputa surgir,

Na presença do príncipe,

Com invocações aos bardos

À doce Awen,

E a demonstração do conhecimento dos magos

E sabedoria dos druidas.

Na corte dos filhos do distribuidor

Alguns são os que apareceram

Intencionados com astutos esquemas,

Por meios de artifícios e truques,

Em sensações de aflição

Para enganar aos inocentes,

Que os tolos sejam silenciados

Como antes na batalha de Badon, –

Com Arthur dos libertadores

O chefe, com longas lâminas vermelhas

Através dos feitos de homens testados

E um chefe com seus inimigos.

Dor esteja sobre eles, os tolos,

Quando a vingança vier para eles.

Eu, Taliesin, chefe dos bardos,

Com as palavras de um sábio Druida,

Irei libertar Elphin

De soberbas correntes tiranas.

Para sua queda e arrepiante clamor,

Pelo ato de um corcel surpreendente,

Do muito distante Norte,

Lá deve logo haver um fim.

Que nem graça nem saúde

Hajam para Maelgwn Gwynedd

Por essa força e esse erro

E haja um extremo da males

E um final vingado

Para Rhun e toda a sua raça:

Curto seja o curso de sua vida,

Que todas as suas terras tornem-se ermas

E asilo em Iona seja dado

A Maelgwn Gwynedd!”

Após isso ele pediu a permissão de sua senhora e chegou finalmente à Corte de Maelgwn, que estava indo se sentar em seu salão e jantar em seu estado real, como era o costume naquele tempo para reis e príncipes  fazer em cada banquete de um chefe. E tão logo Taliesin entrou no salão, ele se colocou em um canto quieto, próximo ao lugar onde os bardos e menestréis estavam acostumados a ir para fazer seus serviços e deveres ao rei, como é o costume nos grandes festivais  quando a recompensa é proclamada. E então, quando os bardos e os arautos vieram para bradar generosidades, e proclamar o poder do rei e sua forte, no momento que eles passaram pelo canto em que ele estava agachado, Taliesin esticou seus lábios na direção deles, e tocou “blerwn, blerwn”, com seu dedo sobre os lábios. Eles nem tomaram muito conhecimento dele quando passaram, mas continuaram em frente até que chegaram perante o rei, ao qual eles fizeram sua reverência, não com seus corpos, como eles estavam habituados, sem falar uma única palavra, mas esticando seus lábios, e fazendo bicos para o rei, tocando “blerwn, blerwn”, sobre seus lábios com seus dedos, como se eles tivessem visto o garoto fazer em outro lugar. Essa visão fez com que o rei se surpreendesse e julgasse consigo mesmo que eles estavam bêbados com muitos licores. Por isso ele ordenou que um de seus senhores, que servia no conselho, fosse até eles e os avisasse para conter suas habilidades, e considerar onde estavam, e o que era apropriado que fizessem. E isso o senhor fez alegremente. Mas eles não pararam com sua tolice mais do que antes. Portanto, ele o mandou a eles uma segunda vez, e uma terceira, desejando que eles partissem do salão. E finalmente o rei ordenou que um de seus vassalos desse um golpe no chefe deles, chamado Heinin Vardd; e o vassalo pegou uma vassoura e o atingiu na cabeça, com o qual ele caiu de volta em seu assunto. Então ele se levantou e foi em seus joelhos, e implorou a permissão da graça do rei para mostrar que sua falha não era pela busca de conhecimento, nem pela embriaguez, mas pela influência de algum espírito que estava no salão. E após isso Heinin falou dessa forma. “Oh, honorável rei, seja conhecido por sua graça, que nem pela força de bebida, ou de licor demais, estamos nós mudos, sem poder de fala como homens bêbados, mas através da influência de um espírito que se senta naquele canto na forma de uma criança.” Então o rei mandou que o vassalo fosse busca-lo; e ele foi até o esconderijo onde se sentava Taliesin, e o levou perante o rei, que perguntou quem era ele, e de onde ele viera. E ele respondeu ao rei em verso.

Primário chefe bardo eu sou para Elphin,

E meu país original é a região das estrelas do verão;

Idno e Heinin chamaram-me Merddin,

Por fim cada rei me chamará de Taliesin.

Eu estive com meu Senhor na mais alta esfera,

Na queda de Lucifer para as profundezas do inferno:

Eu segurei um estandarte perante Alexandre;

Eu conheço os nomes das estrelas de norte a sul;

Eu estive na galáxia, no trono do Distribuidor;

Eu estava em Canaã quando Absalom foi morto;

Eu levei o Espírito Santo ao nível do vale de Hebron;

Eu estava na corte de Don antes de Gwydion.

Eu fui instrutor de Eli e Enoc;

Eu fui feito alado pelo gênio do esplendido bastão;

Eu fui loquaz antes de ser dotado com a fala;

Eu estava no lugar da crucificação do misericordioso Filho de Deus

Eu estive três períodos na prisão de Arianrhod;

Eu fui o chefe diretor do trabalho da torre de Nimrod

Eu sou uma maravilha cuja origem é desconhecida.

Eu estive na Ásia com Noé na arca,

Eu vi a destruição de Sodoma e Gomorra;

Eu estava na Índia quando Roma foi construída,

E agora eu venho aqui aos remanescentes de Tróia.

Eu estive com meu Senhor na manjedoura do burro;

Eu fortaleci Moisés através das águas do Jordão;

Eu estive no firmamento com Maria Madalena;

Eu obtive a musa do caldeirão de Ceridwen;

Eu fui bardo da harpa para Lleon de Lochlin;

Eu estive em White Hill, na corte Cynvelyn,

Por um ano e um dia em aços e grilhões,

Eu sofri fome pelo Filho da Virgem.

Eu fui apadrinhado na terra da Divindade,

Eu fui um instrutor para todas as inteligências,

Eu sou capaz de instruir todo o universo.

Eu devo estar até o dia do julgamento na face da terra;

E não é conhecido se meu corpo é carne ou peixe.

Então eu estive por nove meses

Na barriga da anciã Ceridwen

Eu fui originalmente o pequeno Gwion

E finalmente eu sou Taliesin.”

E quando os reis e seus nobres tinham ouvido a canção, eles se surpreenderam muito, pois nunca tinham ouvido algo semelhante de um garoto tão jovem quanto ele. E quando o rei soube que ele era o bardo de Elphin, ele mandou Heinin, seu primeiro e mais sábio bardo, para responder a Taliesin e combater contra ele. Mas quando ele foi, ele não pôde fazer outra coisa além de “blerwn”, com seus lábios; e quando ele mandou os outros dos seus vinte e quatro bardos, todos fizeram a mesma coisa, e não podiam fazer diferente. E Maelgwn perguntou ao garoto Taliesin qual era sua mensagem, e ele o respondeu em canção.

Débeis bardos, eu estou tentando

Assegurar o prêmio, se eu posso;

Por uma bela extensão profética

Eu estou tentando reaver

A perda que eu posso ter sofrido;

Completar a tentativa eu espero,

Uma vez que Elphin passa por apuros

Na fortaleza de Teganwy,

Sobre ele que não sejam postas

Tantas correntes e ferros;

O Trono da fortaleza de Teganwy

Irei novamente buscar;

Fortalecido por minha musa eu sou poderoso;

Poderosa em minha parte é o que eu busco,

Pois trezentas canções e mais

São combinados no feitiço que eu canto

Não devem permanecer onde eu estou

Nem pedra, nem anel;

E não deve haver sobre mim

Nenhum bardo que possa não saber

Que Elphin, o filho de Gwyddno

Está na terra de Artro,

Preso por treze ferrolhos

Por louvar seu instrutor;

E então eu, Taliesin,

Chefe dos bardos do oeste,

Devo libertar Elphin

Dos ferros dourados.

Se vocês são os primeiros bardos

Para o mestre das ciências,

Declarem vós mistérios

Que relatem aos habitantes do mundo;

Há uma criatura nociva,

Dos baluartes de Satanás,

Que venceu a todos

Entre as profundezas e a superfície;

Igualmente amplas são suas presas

Como as montanhas dos Alpes;

Sua morte não subjugar,

Nem mão ou lâminas;

Há uma carga de novecentas carroças

Nos pelos de suas duas patas

Há em sua cabeça um olho

Verde como uma folha límpida de pingente de gelo;

Três fontes brotam

Na nuca de seu pescoço;

Acidentes do mar nele

Nadam através dele.

Houve a dissolução do gado

De Deivrdonwy, o dotado da água.

Os nomes das três fontes

Do meio do oceano;

Uma gerou salmoura

Que é de Corina,

Para prover o dilúvio

Sobre mares desaparecendo;

A segunda, sem dano

Vai cair sobre nós,

Quando há chuva no mundo,

Através do céu opressor

A terceira vai surgir

Através dos veios das montanhas,

Como um banquete pedregoso.

No trabalho do Rei dos reis.

Vocês são bardos vergonhosos,

Em tamanha solicitude;

Vocês não podem celebrar

O reino dos Britanos;

E eu sou Taliesin,

Chefe dos bardos do oeste

Que vai libertar Elphin

Dos ferros dourados.

Fiquem em silêncio, então, vocês bardos rimadores desafortunados,

Pois vocês não podem julgar entre verdade e falsidade.

Se vocês são bardos primários formados pelo céu,

Diga a seu rei o que seu destino será.

Eu que sou um adivinho e um bardo da vanguarda,

E conheço cada passagem do país de seu rei;

Eu libertarei Elphin da barriga da torre de pedra;

E eu direi ao seu rei o que o que ocorrerá a ele.

Uma criatura mais estranha virá da marisma de Rhianedd

Como uma punição pela iniquidade de Maelgwn Gwynedd;

Seu cabelo, seus dentes, e seus olhos sendo como ouro,

E isso trará a destruição sobre Maelgwn Gwynedd.

Descubra tu o que é

A forte criatura de antes do dilúvio,

Sem carne, sem osso,

Sem veia, sem sangue,

Sem cabeça, sem pés;

Ela não será nem mais velha, nem mais jovem

Do que no começo;

Por medo de uma negativa,

Nenhum rude quer

Com criaturas.

Grande Deus! Como o mar embranquece

Quando ela chega!

Grandes são suas rajadas

Quando ela chega do sul;

Grande é sua evaporação

Quando ela bate na costa.

Ela está no campo, ela está na floresta,

Sem mão e sem pé,

Sem sinais de envelhecimento,

Embora ela seja contemporânea

Com as cinco eras ou períodos;

E ainda mais velha,

Embora elas sejam de anos incontáveis.

Ela é também tão ampla;

Quanto a superfície da terra.

E ela não é nascida,

Nem foi vista.

Ela causará consternação

Onde quer que Deus queira.

No mar e na terra,

Ela não vê, nem é vista.

Seu caminho é tortuoso,

E não virá quando desejado

No mar e na terra,

Ela é imprescindível.

Ela é sem um igual,

Ela possui quatro lados;

Ela não é confinada,

Ela é incomparável;

Ela vem das quatro direções

Ela nunca será avisada,

Ela nunca estará sem aviso.

Ela começa sua jornada

Sobre a pedra de mármore.

Ela é sonora, ela é muda,

Ela é suave,

Ela é forte, ela é atrevida,

Quando ela olha sobre a terra.

Ela é silenciosa, ela é vocal,

Ela é clamorosa,

Ela é a mais barulhenta

Na face da terra.

Ela é boa, ela é má,

Ela é extremamente ofensiva.

Ela está escondida,

Porque a visão não consegue percebê-la.

Ela é agressiva, ela é benéfica;

Ela está lá, ela está aqui

Ela vai decompor,

Mas não irá reparar a ferida

Ela não vai sofrer por seus feitos,

Vendo que ela não tem vergonha.

Ela é úmida, ela é seca,

Ela frequentemente vem,

Vinda do calor do sol,

E do frio da lua.

A lua é menos benéfica

Na medida que seu calor é menor.

Um Ser a preparou,

De todas as criaturas,

Para uma tremenda rajada,

Para trazer a vingança

Sobre Maelgwn Gwynedd.”

E enquanto ele estava assim, cantando seu verso próximo à porta, lá surgiu uma poderosa tempestade de vento, tanto que o rei e seus nobres pensaram que o castelo cairia em sobre suas cabeças. E o rei os fez buscar Elphin rapidamente de sua masmorra, e o colocou perante Taliesin. E é dito que ele imediatamente cantou um verso, e as correntes se abriram de seus pés.

“Eu adoro o Supremo, Senhor de toda a animação,-

Aquele que apoia os céus, Governante de cada extremo,

Aquele que fez a água boa para todos,

Aquele que outorgou cada dádiva, e as abençoa,-

Que abundancia de hidromel seja dada a Maelgwn de Anglesey, que nos supre,

De seus espumantes chifres de hidromel, com a escolha do puro licor.

Uma vez que abelhas coletam, e não desfrutam,

Nós temos brilhante hidromel destilado, que é universalmente louvado.

A multidão de criaturas que a terra nutre

Deus fez para o homem, com a visão de enriquece-lo;-

Algumas são violentas, algumas são mudas, ele as aproveita,

Algumas são selvagens, algumas são domesticadas; o Senhor as criou

Parte de sua produção se torna roupa;

Para comida e bebida até o final do mundo eles irão continuar.

Eu suplico ao Supremo, Soberano da região da paz,

Para liberar Elphin do banimento,

O homem que me deu vinho, e cerveja, e hidromel,

Com grandes corcéis nobres, de bela aparência,

Que ele ainda me dê; e no final,

Que Deus. de sua bondade, me conceda, em honra,

Uma sucessão de incontáveis eras, no retiro da tranquilidade.

Elphin, cavaleiro do hidromel, tardia seja tua dissolução!”

 E depois ele cantou a ode que é chamada “A Excelência dos Bardos.”

Quem foi o primeiro homem

Feito pelo Deus do céu;

Qual a mais bela fala de lisonja

Que foi preparada por Ieuav;

Que carne, que bebida,

O que cobre seu refúgio;

Qual a primeira impressão

De seu pensamento primário;

O que se tornou sua veste;

Quem continuou em um disfarce,

Devido à selvageria do país,

No começo?

Porque uma pedra deve ser dura

Por que deve um espinho ser de ponta afiada

O que é duro como uma rocha;

O que é salgado como salmoura;

O que é doce como o mel;

O que cavalga sobre a ventania;

Por que  a montanha deveria ser o nariz;

Por que uma roda deve ser um círculo;

Por que deve a língua ser dotada da fala

Ao invés de algum outro membro?

Se teus bardos, Heinin, são competentes,

Que eles respondam a mim, Taliesin.”

E depois disso ele cantou o discurso que é chamado a “Reprovação dos Bardos.”

Se tu és um bardo completamente imbuído

Com o gênio que não pode ser controlado,

Não sejas tu intratável

Dentro da corte de teu rei;

Até que tua ladainha seja conhecida,

Esteja tu em silêncio, Heinin

Como ao nome de teu verso,

E o nome de teu alardear;

E quanto ao nome de teu senhor

Anterior ao seu batismo.

E o nome da esfera,

E o nome do elemento,

E o nome de tua linguagem,

E o nome de tua região.

Avante, vocês bardos acima,

Avante, vocês bardos abaixo!

Meu amor está abaixo,

Nos grilhões de Arianrod.

É certo que vocês não sabem

Como entender a canção que eu profiro,

Nem claramente como discriminar

Entre a verdade e o que é falso;

Débeis bardos, corvos do distrito,

Por que vocês não fogem?

Um bardo que não vai me silenciar,

Silêncio ele não irá obter,

Até que ele esteja coberto

Sob cascalho e calhau;

Como deve ouvir a mim,

Que Deus escute a ele.”

Então, cantou ele a peça chamada “O Rancor dos Bardos.”

“Menestréis perseveram em seu falso costume,

Ditames imorais são seu deleite;

Louvores vãos e desgostosos eles recitam;

Falsidade em todas as vezes eles proferem

As pessoas inocentes eles ridicularizam

Mulheres casadas eles destroem,

Virgens inocentes de Maria eles corrompem

Como selas passassem suas vidas sempre em vaidade;

Pobre pessoas inocentes eles ridicularizam;

À noite eles se embebedam, eles dormem durante o dia

Em ociosidade sem trabalho eles se alimentam

A Igreja eles odeiam, e a taverna eles frequentam;

Com ladrões e perjuros eles se associam;

Nas cortes eles perguntam após os banquetes

Cada palavra sem sentido que eles trazem

Cada pecado mortal que eles louvam;

Cada vil curso da vida eles levam;

Através de cada vila, cidade e país eles passeiam

Sobre o abraço da morte eles não pensam;

Nem hospedagem nem caridade eles dão

Entregando-se à vícios em excesso.

Salmos e orações eles não usam,

Dízimos ou oferendas a Deus eles não pagam,

Em feriados ou domingos eles não cultuam;

Vigílias ou festivais eles não observam.

Os pássaros voam, os peixes nadam,

As abelhas coletam mel, os vermes se arrastam,

Cada coisa trabalha para obter sua comida,

Exceto menestréis e inúteis ladrões preguiçosos.

Eu não ridicularizo nem canção nem cantoria,

Pois elas são dadas por Deus para iluminar pensamento;

Mas aquele que abusa delas,

Por blasfemar Jesus e seu serviço.”

Taliesin tendo libertado seu mestre da prisão, e tendo protegido a inocência de sua esposa, e silenciado os Bardos, ao ponto que nenhum deles ousou dizer uma palavra, então levou a esposa de Elphin perante eles, e mostrou que ela não tinha nenhum dedo faltando. Corretamente alegre estava Elphin, corretamente alegre estava Taliesin.

Então ele fez Elphin apostar com o rei que ele tinha cavalo tanto melhor quanto mais rápido que os cavalos do rei. E assim Elphin fez, e o dia, e a hora, e o lugar foram fixados, e o lugar era o que hoje é chamada Morva Rhiannedd: a para lá o rei foi com todo o seu povo, e vinte e quatro dos cavalos mais velozes que ele possuía. E após um longo processo, o curso foi marcado, e os cavalos foram colocados para correr. Então veio Taliesin com vinte e quatro gravetos de azevinho, que ele queimou à negritude, e ele vez com que o jovem que cavalgaria os cavalos de seu mestre os colocasse em seu cinto, e ele lhe deu ordens de deixar que todos os cavalos do rei ficarem perante ele, para que ele pudesse ultrapassar um atrás do outro, pegar um dos gravetos e atingir o cavalo nas ancas, e então deixar o graveto cair; e após isso ele deve pegar outro graveto, e fazer de maneira semelhante para cada um dos cavalos, para que ele pudesse ultrapassá-los, devendo o cavaleiro somente observar quando seu próprio cavalo tropeçaria e ali atirar sua boina  . Todas essas coisas o jovem realizou, dando um golpe a cada um dos cavalos do rei, e atirando sua boina no ponto onde seu cavalo tropeçasse. E a esse ponto Taliesin levou seu mestre após seu cavalo vencer a corrida. E ele fez com que Elphin colocasse trabalhadores para cavar um buraco ali; e quando eles cavaram o chão fundo o bastante, eles encontraram um grande caldeirão cheio de ouro. E então disse Taliesin, “Elphin, veja um pagamento e uma recompensa para ti, por ter me tirado da represa, e por ter me criado daquele tempo até agora.” E nesse ponto há um poço d’água, que é hoje chamado Pwllbair.

Depois de tudo isso, o rei fez com que Taliesin fosse trazido perante ele, e lhe foi pedido que ele recitasse sobre a criação do homem, desde o início; e portanto ele fez um poema que é agora chamado “Um dos Quatro Pilares da Canção.”

O Todo Poderoso fez,

Descendo o vale do Hebron,

suas mãos plásticas

A bela forma de Adão:

E quinhentos anos,

Destituído de qualquer ajuda,

Lá ele permaneceu e deitado

Sem uma alma.

Ele novamente formou,

Em calmo paraíso,

De uma costela do lado direito,

Eva da palpitante felicidade.

Sete horas eles estiveram,

O pomar guardando,

Até que Satan trouxe o conflito,

Com artifícios do inferno.

Então eles foram expulsos,

Frio e tremores,

Para ganhar sua vida,

Nesse mundo.

Para trazer com dores

Seus filhos e filhas,

Para ter posse

Da terra da Ásia.

Duas vezes cinco, dez e oito,

Ela era auto-suficiente,

O fardo misto

De homem-mulher.

E uma vez, não oculta,

Ela trouxe Abel,

E Cain, o desolado,

O homicida.

Para ele e sua companheira

Foi dada uma pá,

Para romper o solo,

Assim para ter o pão.

O trigo puro e branco,

Verão cultivado para o semear,

Cada homem para alimentar,

Até a grande festa de Yule.

Uma mão angélica

Do alto Pai,

Trouxe semente para o crescimento

Que Eva podia semear;

Mas ela então ocultou

Da dádiva um décimo,

E nem tudo foi semeado

Do que foi cavado.

Centeio negro então foi encontrado,

E não trigo puro novamente,

Para mostrar a malícia

Desse roubo.

Por esse ato ladino,

É requisitado,

Que todos os homens paguem

Dízimo para Deus.

Do vinho vermelho,

Plantado em dias ensolarados,

E nas noites de lua-nova;

E o vinho branco.

O trigo rico em grão

E vinho fluente vermelho

Feitos do puro corpo de Cristo,

Filho de Alpha.

O bolo é carne,

O vinho é sangue derramado,

As palavras da Trindade

Os santificam.

Os livros ocultos

Da mão de Emanuel

Foram trazidos por Rafael

Como um presente de Adão,

Quando em sua idade avançada,

Ao seu queixo imerso

Na água do Jordão,

O auxilio dos três

Cajados mais especiais.

Salomão obteve

Na torre de Babel,

Todas as ciências

Na terra da Ásia.

Assim eu obtive,

Em meus livros bárdicos,

Todas as ciências

Da Europa e África.

Seu curso, sua relação,

Seu caminho permitido,

E seu destino eu conheço,

Até o final.

Oh, que miséria,

Embora extrema de dores,

Profecia eu mostrarei

Sobre a raça de Tróia!

Uma serpente enrolada

Orgulhosa e sem misericórdia,

De suas asas douradas,

Da Germânia.

Ela irá varrer

Inglaterra e Escócia,

Da costa de Lychlyn

Ao Severn.

Então serão os Britanos

  como prisioneiros,

Por estrangeiros jurados,

Da Saxonia.

Seu Senhor eles irão louvar,

Sua fala eles irão manter,

Sua terra eles irão perder,

Exceto a selvagem Walia.

Até alguma mudança vir,

Após longa penitencia,

Com semelhante abundancia

Os dois crimes vêm.

Britanos então devem ter

Sua terra e sua coroa,

E a multidão estrangeira

Deve desaparecer.

Todas as palavras dos anjos,

Tanto as de paz e guerra,

Serão cumpridas

Para a raça da Brittania.”