por Jully Basílio

(originalmente publicado no blog ‘O Chamado de Morrigan’: http://chamadodemorrigan.blogspot.com.br/2015/10/elen-dos-caminhos-parte-1.html#more )

Hoje quero vos apresentar à uma deusa que tenho especial apreço, Elen of the Ways, ou em português, Elen dos Caminhos. também conhecida como ‘Elen of the Hosts’ e ‘Helen Luyddogg’
No Brasil, é uma deusa pouquíssimo conhecida, tanto que em minhas pesquisas por conteúdos sobre ela, não encontrei absolutamente nada em português. Nem artigos, nem livros, nem sequer uma citação rápida sobre quem ela é.
Elen é uma deusa celta britânica/britônica muito antiga, associada às florestas, montanhas, rios, cachoeiras, animais selvagens (principalmente cervos, renas e alces), à Soberania, à fertilidade da Terra e é principalmente a guardiã dos viajantes e dos caminhos e trilhas. Ela é uma condutora de caminhos, sejam estes físicos, emocionais ou espirituais. Por si só, é Aquela que caminha entre os Mundos.
Em um texto de Caroline Wise, a autora a descreve:
Como a Donzela Verde, ela espreita entre as árvores nas florestas e bosques. Como a Venus Britânica, Deusa dos Jardins: ela é a Noiva Flor, com seus poços sagrados, encontrados principalmente no norte do país, ela é guardiã das correntes subterrâneas que carregam as Águas Sagradas. Estas correntes subterrâneas por si só são metáforas para a continuação secreta da Sabedoria Sagrada. Ela é a guardiã dos antigos caminhos em trilhas, os ‘Leys‘, a kundalini corrente na natureza. E como a Deusa Chifruda, ela nos guia aos primeiros caminhos, o caminho migratório das renas e depois, ela nos guia ao caminho do Cervo Vermelho através das florestas. Daqui, ela nos conduz ao xamanismo perdido das Ilhas Britânicas…
Elen no Mabinogion…
No ‘Mabinogion’, coletânea de lendas galesas, Elen é conhecida como Elen Luyddogg, ou ‘Elen of the Hosts’. A lenda chamada “The Dream of Macsen Wledig”, conta que Elen foi descoberta pelo imperador romano Macsen(Magno Máximo) em um sonho. Sua beleza é comparada ao Sol: radiante e majestosa! Ao acordar, Macsen adoece de tristeza, pois se apaixona perdidamente por Elen, sem saber de sua real existência. Um de seus criados se compadece de sua dor e resolve procurar pela mulher de seus sonhos. Então um grupo de homens saem em jornada à procura da mulher, e após um ano à encontram nas Ilhas Britânicas. Após encontrá-la, os dois se tornam noivos e Elen, como sua imperatriz, solicita três cidades-chefe como seu presente de noivado. Ela, então passa a supervisionar a construção das estradas de uma cidade à outra, assistindo em sua proteção (lenda absurdamente resumida, pois ela é bem grande e pode ser lidaaqui).
A partir desta lenda que foi atribuído a ela o título de ‘Elen of the Hosts’ e a crença desta ser protetora dos caminhos/estradas/trilhas e viajantes.
Ainda é possível caminhar ao longo de suas estradas, literalmente. Sarn Elen, localizada no País de Gales, que vai de Caernarfon ao sul de Gales, já conhecida como anterior ao período romano. Caminhar nesta estrada pode ser uma experiência mágica, pois adentra em uma dimensão onde a magia, o mito e a história se encontram.
Sarn Elen, País de Gales
A deusa com galhadas…
Até onde eu sei, Elen é a única ‘Horned Goddess’, até hoje não vi nenhuma outra deusa com galhadas de cervos ou chifres, pelo menos não na mitologia celta, até onde meus conhecimentos limitados me levam. O fato de Elen ser representada com galhadas é bastante curioso, levando em consideração que cervos e alces fêmeas não possuem galhadas, a não ser pelas renas. Por este motivo, muitos estudiosos e pesquisadores associaram Elen com renas, ao invés de cervos.
Segundo Caroline Wise, ‘Elen’ é apenas um dos muitos nomes da antiga “Reindeer Goddess”, uma deusa com galhadas cultuada desde os tempos paleolíticos. Ela ainda diz: “Eu concluí que ela é a Deusa dos animais, incluindo todos os cervos, e é quem guarda e guia ao longo de suas trilhas, e desde essas primeiras estradas ela se tornou a deusa dos caminhos, preocupada com a regência da terra(…). Ela está, através dos animais e dos antigos caminhos, interessada no equilíbrio das energias da terra, com a fertilidade e ciclos da natureza”.
Meus primeiros contatos…
Confesso que meu interesse pela Elen não é de hoje, há um tempo atrás eu ouvi falar dela e vi imagens ilustrativas na internet que me causaram um enorme desejo de começar um relacionamento com essa deusa. Mas confesso que ainda estava insegura, pois haviam poucas informações e todas elas em inglês, o que me tomaria um tempinho a mais para ler, reler e compreender os textos.Tudo que eu sabia era que ela era uma “deusa cervo” muito presente na vida selvagem e nas florestas e que de alguma forma tinha ligação com caminhos.
Creio que ela própria decidiu que já estava na hora de nos conhecermos face-a-face. Certo dia(dessa semana que passou), passando por uma praça que tem um bocado de árvores, umas vozes ecoaram em minha mente dizendo: “Elen está em todos lugares. Elen caminha pelas árvores. Elen está esperando.” Confesso que eu gelei mas entendi o recado.
Ontem, dia 10/10/2015, eu decidi que iria encontrá-la. Abri um portal com Manannán, pq sim, eu queria que fosse uma experiência bem forte. Fiz tudo conforme a inspiração mandava. Entrei em Jornada e fui. Eu e meu tótem estávamos nadando no mar e então sem mais nem menos atravessamos um portal e fomos parar em uma floresta. De frente para nós havia uma estrada de terra bem estreita e no final da estrada havia uma mulher. Começamos a nos aproximar e a mulher entrou floresta à dentro, com jeito de “sigam-me”.
Então fomos. Entramos pelas árvores e para minha surpresa começamos afundar terra abaixo. Confesso que foi uma experiência um tanto sufocante, pois havia terra até dentro do nariz. Fomos descendo cada vez mais fundo até que chegamos no fundo de um lago cristalino e bem verdinho. Fomos nadando para a beira e quando emergimos, eu vi a cena mais linda que já pude ver em minhas jornadas. À minha frente, haviam 3 cachoeiras que caiam do infinito, não tinham começo e no final da queda elas se encontravam num lago de águas correntes que passava por baixo da terra e depois vinham de encontro para o lago que eu e meu tótem estávamos. De frente para as cachoeiras e de costas para nós, estava Ela, toda empodeirada. Os cabelos longos e brilhantes esvoaçando no vento, vestida toda de verde e sua galhada majestosa indicando poder.
Montei em meu tótem e fomos caminhando lentamente até ela. Com toda doçura do mundo, ela se virou para nós, acariciou o meu tótem com tanto amor que parecia que eram amigos de longas eras. Estendeu-me a mão e desci, para melhor cumprimentá-la. Foi simplesmente incrível. Ela me disse coisas que prefiro manter para mim, pois concerne à assuntos pessoais. Mas ao final da conversa, firmamos um compromisso. Então voltei, fechei o portal e digeri alegremente tudo que havia acabado de acontecer.
Algumas conclusões…
Confesso que o mais incrível de tudo, além de minha experiência com ela, foi hoje, dia 11/10, tirar o dia para pesquisar e ler e traduzir textos e mais textos sobre ela e descobrir que tudo que eu vi em minha jornada está presente nos textos que encontrei sobre. A cada leitura era um “NOOOOOSSA! Eu vi isso” seguidos de arrepios. Esse é o tipo de experiência que nos firmam cada vez mais em nossa fé. Não que precisamos de “provas”, mas um caminho mágico é essencial que esse tipo de coisa aconteça para mantermos nossa vida espiritual acesa.
Sobre os dados teóricos que apresentei aqui, peço desculpas se houver informações equivocadas. São muitos sites falando sobre ela, todos em inglês e todos contendo palavras que não achei nem no dicionário. Então sim, pode ter havido confusão de minha parte.
Minha intenção em relação à Elen, é dar continuidade aos textos. Pois ela é uma deusa complexa, há informações diferentes de pessoas diferentes com opiniões diferentes. Pretendo traduzir alguns textos interessantíssimos que achei e postá-los por aqui. Há muitas mais informações sobre Elen, e pretendo trazê-las, assim que possível para este blog. Espero que gostem!

O Espírito da Mãe Natalina – parte 2

(originalmente publicado no blog ‘O Chamado de Morrigan’: http://chamadodemorrigan.blogspot.com.br/2015/12/deusa-elen-o-espirito-da-mae-natalina.html#more  )

Na postagem de hoje resolvi traduzir um texto que achei interessantíssimo. Nele, não fala diretamente sobre Elen, mas eu fiz essa associação por motivos óbvios.
O texto foi retirado do site Gather e tem como título original: “Doe, A Deer, A Female Deer: The Spirit of Mother Christmas“.
Corça, Um Cervo, Um Cervo Fêmea: O Espírito da Mãe Natalina
Na antiga religião da natureza (a qual o divino era frequentemente percebido como feminino) foi a Rena quem  reinou suprema como a grande deusa do Solstício de Inverno. Foi quando nós “cristianizamos” as tradições pagãs do inverno, que o “Homem de barba branca”, ou seja, o Papai Noel ou Pai Natalino nasceu.
Hoje ele tem Rudolph em sua carruagem e seu trenó com renas voando através de nossos místicos céus e nós temos nos esquecido do poder da Mãe Cervo, a Rena fêmea com galhadas. Mais forte e mais larga que um cervo, ela é quem guia os rebanhos.E é a sua amada imagem que adorna os cartões Natalinos e as decorações de Yule que estamos tão familiarizados hoje em dia. Porque, diferente do macho que perde suas galhadas no inverno, é a Mãe Cervo quem leva o sol doador da vida com segurança pela escuridão do inverno, a noite mais longa, em seus chifres.

Atravessando o Norte, desde o Neolítico, pelas Ilhas Britânicas, Escandinávia, Rússia, a ponte terrestre de Bering Straights e nas Américas, a rena fêmea foi venerada como a “Mãe doadora da vida”. Ela era a facilitadora da fertilidade, a anima dos lugares selvagens, florestas e montanhas, o corcel transcendente das fadas e povos mágicos.

Tatuagem de 2500 anos encontrada
na “Princesa de Gelo Siberiana

Suas galhadas adornaram altares e cabeças de sacerdotisas xamânicas e sua imagem foi gravada em pedras erguidas, tecida em roupas cerimoniais, colocada em jóias e pintada em tambores.
Raramente representada correndo na terra, a rena era vista saltando ou voando através do ar com pescoço estendido e pernas em movimento para frente e para trás. Frequentemente carregando o Cosmos, o Sol, Lua e estrelas em seus chifres, suas galhadas eram a árvore da vida, representando os mundos inferior, mediano e superior(Mar, Terra e Céu*).
A Mãe Cervo também tem sido vista como uma mulher/deusa sentada, usando um “cocar de chifres” no qual está tecida a árvore da vida e o pássaro (emblema do voo xamânico). Esse trio de símbolos são frequentemente repetidos nas imagens de Solstício de Inverno e na arte popular Natalina e ainda estão conosco – embora nós tenhamos claramente esquecido seus significados originais.
Nas lendas siberianas a rena levanta voo a cada inverno depois de ingerir o cogumelo alucinógeno Amanita Muscaria, o arquétipo cogumelo venenoso vermelho com pontos brancos. Os xamãs juntavam-se a eles em uma busca da Visão, pegando os cogumelos e em seguida, escalavam a árvore da vida que eles levantariam voo como um pássaro em outros reinos.

Há teorias que a fantasia do Papai Noel deriva dos xamãs da região do Ártico que se vestiam de trajes vermelhos com manchas brancas, coletavam cogumelos e então os entregava através das chaminés
como presente no Solstício de Inverno. Fala-se sobre uma noite selvagem.
Na Sibéria, mulheres xamãs usavam vestes vermelhas e brancas enfeitadas com pele, “cocares” com chifres(ou chapéus vermelhos de feltro!) e praticavam a tradição do Voo Xamânico. E o mais provável é que suas celebrações de Solstício de Inverno que nos trouxe as histórias de renas voadoras que levam ao céu a noite mais longa do ano.
Rozhanitsa é uma deusa chifruda de inverno da Rússia e no seu dia de festa(durante o Solstício de Inverno) bordados em branco e vermelho representando ela eram exibidos e pequenos biscoitos brancos em forma de cervo eram dados como símbolos de sorte. Saule, a deusa Eslava da luz e da família, voou através dos céus em um trenó puxado por renas fêmeas e jogou pedras de âmbar(simbolizando o Sol) pelas chaminés.

Rozhanitsa
Saule

Então, neste Solstício lembre-se de olhar para fora de sua casa quente e aconchegante para o frio da noite escura. Lembre-se da esquecida Deusa do Inverno dos antigos e suas renas mágicas. E na noite sagrada que o Sol renasce, olhe para a Mãe Nataline esperando silenciosamente como um cervo no templo da natureza, carregando um pássaro em suas galhadas.

* Mar, Terra e Céu, referência que eu mesma inclui no texto

Minhas Considerações:

Após a leitura desse texto ficou extremamente clara para mim a associação com a deusa Elen. No texto anterior (que vc pode ler aqui)  eu mostrei algumas associações feitas à ela, e dentre estas encontra-se principalmente as renas. Essa associação foi feita por 2 motivos: Elen é uma deusa de Caminhos, ela guarda os viajantes e guia aqueles que transitam entre trilhas. Suas estradas são conhecidas por, no passado, ser o trajeto de renas. Elen também é associada com as renas, pois, as renas são as únicas cervidaes fêmeas que possuem galhadas – e, inclusive – não as perde no inverno, com já foi falado.
Sendo assim, como temos poucas informações a respeito de Elen e nenhum relato antigo de tipos de cultos ou rituais prestados a Ela, pode-se fazer uma adaptação com base nas informações que temos a respeito da “Mãe Cervo”, descrita por Danielle Olson no texto acima.
E por que não aproveitar este Natal para entrar no clima da Deusa Rena? Mesmo que estejamos no Hemisfério Sul e aqui estamos em época de Solstício de Verão, o mundo inteiro está em clima de Natal, então, podemos muito bem comemorar o Soltício de Verão com suas devidas deidades e simbolismos mas também aproveitar a ocasião do Natal para honrar a querida Mãe Cervo, Senhora das Renas, aquela que guia entre os caminhos escuros trazendo luz aos viajantes!

Espero que tenham gostado, desculpem-me pela tradução mais ou menos, mas este texto me trouxe uma nova perspectiva do Natal e me inspirou a celebrá-lo, mas com enfoque na minha querida Elen.
Fiquem a vontade para compartilhar e fiquem de olho que mais textos sobre ela virão.
Feliz Solstício à todos e um feliz Natal iluminado pela Senhora Rena!

Pétalas e Ervas como Oferenda

(originalmente publicado no blog ‘O Chamado de Morrigan’: http://chamadodemorrigan.blogspot.com.br/2015/12/deusa-elen-sugestao-de-ritual.html#more )

Dando continuidade aos meus textos sobre Elen, hoje decidi compartilhar com vocês uma liturgia de ritual que preparei especialmente para Elen. Como sabem, Elen é uma deusa do Solstício de Inverno. Aí você me pergunta: mas Jully, estamos no Solstício de Verão, você tá louca? Aí eu explico: não estou louca, ainda. A egrégora do Natal(que nada mais é que o Solstício de Inverno) está aí a todo vapor. Todos enfeitando suas casas com luzes, árvores, bonequinhos de neve. E por que não aproveitar essa egrégora para ritualizar uma deusa de Natal? O Sol já está em seu ápice aqui no Hemisfério Sul, então seria realmente bem estranho celebrar o renascimento do Sol, sendo que ele já está aqui quase nos esmagando, não é mesmo? Mas, e se mudássemos um pouco este contexto, e ao invés de celebrar a chegada da Luz do Sol, celebrarmos a Luz dessa Deusa em nossas vidas ou em algum aspecto específico que desejamos? Mas, de toda forma a egrégora de Natal está presente no Hemisfério Sul e particularmente não vejo problemas em fazer bom uso dela.
Então, vamos a liturgia?


– LITURGIA

Essa liturgia é baseada na liturgia comum do grupo de Druidismo a qual faço parte. Sintam-se livres para alterar ou adequá-la de acordo com seu gosto ou necessidade. Tudo que preparei foi por intuição de acordo com as informações que tenho sobre Elen.
As oferendas e as ervas eu também escolhi de intuição.
Este rito simples pode ser feito no local de sua preferência. Praias, florestas, bosques, em casa, como preferir.

Purificação com Ervas:
Defumação com Palo Santo e/ou Sálvia e infusão de Sálvia, Cidreira e Alecrim.

Centramento:
Imagine que você é uma árvore. Seus pés são raízes que descem fundo na terra e encontram-se com as águas frias que nutrem a terra. Puxe dessa água pelas suas raízes e sinta essa água nutrindo todo seu corpo. Suas mãos são galhos e eles sobem cada vez mais alto e mais próximos do Sol. Puxe a energia do Sol pelos seus galhos e sinta essa força maravilhosa nutrindo todo seu corpo. Recolha lentamente seus galhos e raízes. Abra os olhos.

Abertura do Portal:
Use uma maçã para Oferenda e algum instrumento musical de sua preferência(tambor, ramo de prata, sino), volte-se ao Norte e diga:
Manannán, Filho de Lir
Manannán, Cavaleiro do Mar
Peço que abra o portal entre os Mundos
Para que possamos celebrar e desfrutar de vossas bençãos
Sejas bem vindo
Que assim seja!

Saudação á Elen dos Caminhos: Uma oração de chamamento e em seguida uma oração de louvor

SAUDAÇAO:
Agora com os portais entre este e o outro mundo abertos,
Elen dos Caminhos, Senhora que guia na escuridão
Te chamo para estar em nosso meio
Junte-se a nós nesta noite(ou dia) de Solstício
Para que possamos celebrar junto a ti este momento

ORAÇÃO À ELEN:
Tu, oh senhora das matas selvagens
Teus galhos se elevam sobre as árvores
Tu, oh Rainha dos Cervos
Teus cabelos iluminam a trilha escura
Tu, oh Elen dos Caminhos
Teu manto verde guia-me ao Outro Mundo
Tu, oh Rena do Inverno
Teus passos leves e firmes eu seguirei
Tu, oh Senhora Ancestral
Tua Sabedoria é a inspiração do meu viver

Jornada com Elen:
Feche seus olhos. Você agora está numa mata escura. As árvores são tão altas que você não consegue medir o quanto. Está tudo num completo silêncio, a não ser por um som distante de águas correntes. Talvez um riacho ou uma cachoeira. Você olha em volta e não consegue ver absolutamente nada além dos vultos das árvores. Mesmo no escuro, comece a caminhar lentamente para frente. Conforme você caminha, na sua direção ainda um pouco distante você vê uma pequena luz. Vá lentamente em direção à luz. Conforme você se aproxima, você vê uma silhueta, parece uma pessoa. Chegando mais perto você que essa silhueta possui galhadas sobre sua cabeça, cabelos longos e está usando um vestido. Mas ainda está bem escuro, você apenas vê a sombra. Então você para de caminhar e a luz começa se aproximar de você. Agora que está bem perto você vê que é uma linda mulher, com galhadas de cervo, cabelos longos e ruivos. Seu vestido é verde, tão veste que se mistura à vegetação da mata. Seu olhar é de ternura. Ela faz um sinal indicando que você a siga pela trilha a frente. Vocês caminham até uma clareira. Este é o momento de se abrir para Elen. Cumprimente-a de forma gentil, peça licença e se abra para ela. Conte o que queira contar, peça o que quiser pedir, louve-a. Ouça tudo que ela tem a dizer e veja tudo que ela tem a te mostrar.
Quando terminar, agradeça por tudo e volte calmamente pelo mesmo caminho até chegar novamente na mais completa escuridão da mata. Abra os olhos e coloque seus pés na terra, ou beba um pouco de água. Anote tudo que acontecer, para futuras consultas.

Oferendas a Elen:
Maçã; Ervas de sua preferência, no caso eu escolhi: Erva Cidreira, Alecrim, Alfazema(Lavanda) e Sálvia; pétalas de rosa e incensos florais.
“Elen dos Caminhos, como sinal de minha gratidão eu lhe ofereço estes presentes.” e entregue as oferendas onde preferir. Num riacho, na praia, no pé de uma árvore, etc.

Agradecimento
Agradeça à Elen pela presença, agradeça aos Deuses e aos Espíritos do local.

Fechamento do Portal

FIM.
Bom, é isso. Espero que tenham gostado. É um rito simples, mas feito com intenção e dedicação tem tudo para ser lindo. Quem tem práticas oraculares(tarot, ogham, runas, etc) também pode fazer para saber se as oferendas foram aceitas, o que os Deuses requerem de você e quais bençãos eles tem para você ou para o grupo, se o rito for feito por mais de uma pessoa.
Se você também já criou algum ritual específico para Elen, compartilhe comigo. Deixe aqui nos comentários ou me mande na página do Facebook.
Se tiver críticas ou sugestões também me escreva, será um prazer compartilhar ideias.
Obrigada a todos e tenham ótimas festas de fim de ano. Em breve, farei um texto contando como foi minha experiência com este ritual.
~~ Atenção ~~ 
A violação de direitos autorais é crime: Lei Federal n° 9.610, de 19.02.98 
Fontes de Pesquisa: