Harleian MS 5280

Tradução para o inglês por Elizabeth A. Grey; versão em português por Wallace Cunobelinos

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1 – As Tuatha De Danann estiveram nas ilhas do norte do mundo, estudando ocultismo e magia, artes druidas e bruxaria e habilidade mágica, até que seu conhecimento superou aos sábios das artes pagãs.

2 – Eles estudaram a sabedoria oculta e o conhecimento secreto e artes diabólicas em quatro cidades: Falias, Gorias, Murias e Findias.

3 – De Falias foi trazida a Pedra de Fal, que ficava localizada em Tara. Ela costumava gritar quando estava sob o rei legítimo Irlanda.

4 – De Gorias foi trazida a lança de Lug. Nenhuma batalha podia resistir a ela, ou ao homem que a tinha na mão.

5 – De Findias foi trazida a espada de Nuada. Ninguém nunca escapava dela uma vez que tivesse sido retirada de sua bainha mortal, e ninguém podia resistir a ela.

6 – De Murias foi trazido o caldeirão do Dagda. Nenhuma companhia se afastaria insatisfeita dele.

7 – Havia quatro magos nessas quatro cidades. Morfesa estava em Falias; Esras estava em Gorias; Uiscias estava em Findias; Semias estava em Murias. Essas foram os quatro poetas dos quais as Tuatha De aprenderam a sabedoria oculta e o conhecimento secreto.

 

8 – As Tuatha De então fizeram uma aliança com os Fomorianos, e Balor neto de Net deu a sua filha Ethne a Cian, filho de Dian Cecht. E ela deu à luz ao filho glorioso, Lug.

9 – As Tuatha De vieram com uma grande frota para a Irlanda, para tira-la à força dos Fir Bolg. Ao chegar ao território de Corcu Belgatan (no que hoje é Conmaicne Mara), eles imediatamente queimaram seus barcos para que não se pensasse em fugir para eles. A fumaça e a névoa que saiu dos navios encheram a terra e o ar que estava ao redor. Por esse motivo era pensado que eles tinham vindo em nuvens de névoa.

10 – A batalha de Mag Tuired foi travada entre eles e os Fir Bolg. Os Fir Bolg foram derrotados, e 100 mil deles foram mortos, incluindo o rei, Eochaid mac Eire.

11 – A mão de Nuadu fora cortada nessa batalha – Sreng mac Sengainn o feriu. Assim, com a ajuda de Credne, o braseiro, Dian Cecht, o médico, lhe deu uma mão de prata que se movia exatamente como uma mão real.

12 – Agora, as Tuatha De Danann perderam muitos homens na batalha, incluindo Edleo mac Allai e Ernmas, e Fiacha, e Tuirill Bicreo.

13 – Então, aqueles dos Fir Bolg que escaparam da batalha fugiram para os Fomorianos, e eles se estabeleceram em Arran e em Islay, e em Man e em Rathlin.

14- Havia uma disputa pela soberania dos homens da Irlanda entre as Tuatha De e suas esposas, uma vez que Nuadu não era elegível para a realeza depois que sua mão fora cortada. Eles diziam que seria apropriado dar o reinado para Bres, filho de Elatha, o seu próprio filho adotivo, e que conceder-lhe a realeza sagraria a aliança com os Fomorianos, já que seu pai Elatha mac Delbaith era rei deles.

 

15 – Agora, a concepção de Bres se deu dessa maneira.

16 – Um dia uma de suas mulheres, Eriu, filha de Delbaeth, estava olhando para o mar e a terra da sua casa em Maeth Sceni; e ela via o mar perfeitamente calmo, como se fosse uma laje. Então, enquanto observava, ela viu alguma coisa: uma nau de prata surgiu no mar. Seu tamanho parecia grande, mas sua forma não parecia clara para ela; e a corrente do mar levou-a para a terra.

Então ela viu o que era um homem de mais bela aparência. Ele tinha o cabelo amarelo-ouro até os ombros, e uma capa com bandas de fios de ouro ao seu redor. Sua camisa tinha bordados com fios de ouro. Em seu peito estava um broche de ouro com o brilho de uma pedra preciosa nele. Duas brilhantes lanças de prata, e nelas dois eixos rebitados de bronze. Cinco torques de ouro em volta do pescoço. A espada com empunhadura de prata e incrustações de ouro.

17 – O homem disse a ela: “Será que eu poderia ter uma hora de amor com você?”

“Eu certamente não tenho um encontro marcado com você”, disse ela.

“Que venha sem encontro, então!” disse ele.

18 – Então eles se deitaram juntos. A mulher chorou quando o homem se levantou novamente.

“Por que você está chorando?”, perguntou ele.

“Eu tenho duas coisas pelos quais deveria lamentar”, disse a mulher, “me separar de você, da forma que nos encontramos. Os jovens das Tuatha De Danann me pediam em vão, e você me possuiu dessa forma”.

19 – “Sua ansiedade por essas razões não persistirá”, disse ele. Ele retirou o anel de ouro de seu dedo médio e o pôs nas mãos dela, e lhe disse que não deveria se desfazer dele, fosse por venda ou por doação, a não ser para alguém em cujo dedo ele caberia.

20 – “Outra questão me preocupa”, disse a mulher, “eu não sei quem veio para mim”.

 

21- “Você não vai permanecer na ignorância”, disse ele. “Elatha mac Delbaith, rei dos Fomorianos, veio a você. Você terá um filho como resultado de nosso encontro, e que nenhum nome seja dado a ele, a não ser Eochu Bres (ou seja, Eochu, o Belo), porque cada bela coisa que é vista na Irlanda – tanto planície e fortaleza, cerveja e vela, ou mulher e homem e cavalo – serão comparados em relação a esse menino, de modo que as pessoas dirão dele, “‘é um Bres’”.

22 – Então o homem partiu novamente, e a mulher voltou para sua casa, e a famosa concepção se deu.

23 – Em seguida ela deu a luz ao menino, e o nome Eochu Bres foi dado a ele, como Elatha havia dito. Uma semana após terminar o resguardo da mulher, o menino tinha um crescimento de duas semanas; e ele manteve esse crescimento por sete anos, até que tinha alcançado o tamanho de 14 anos.

 

24 – Como resultado desta contenda que ocorria entre as Tuatha Dea, a soberania da Irlanda foi dada ao jovem; e ele deu sete reféns dos guerreiros da Irlanda (seus parentes maternos) pela sua restituição da soberania, se seus próprios erros dessem motivo. Em seguida sua mãe lhe concedeu uma terra, e ele tinha uma fortaleza construída sobre ela, Dun mBrese. E foi o Dagda que construiu a fortaleza.

25 – Mas depois de Bres assumir a soberania, três reis Fomorianos (Indech mac De Domnann, Elatha mac Delbaith e Tethra) impuseram o seu tributo sobre a Irlanda, e não havia uma fumaça de uma casa na Irlanda que não estivesse sob seu tributo. Além disso, os guerreiros da Irlanda foram rebaixados a servi-los: Ogma sob um feixe de lenha, e o Dagda como um construtor de valas, e ele cavou a trincheira ao redor da fortaleza de Bres.

26 – Agora o Dagda estava infeliz no trabalho, e em casa ele costumava receber um homem cego chamado Cridenbel, cuja boca crescia até a altura de seu peito. Cridenbel considerava sua própria refeição pequena e grande a do Dagda, então ele disse, “Dagda, para o bem de sua honra, que os três melhores pedaços de sua porção sejam dados a mim!” E o Dagda e o fazia todas as noites. Mas os pedaços do satirista eram grandes: cada mordida era do tamanho de um bom porco. Além disso, esses três pedaços eram um terço de porção de Dagda. A aparência do Dagda foi piorando por isso.

27- Então um dia o Dagda estava nas trincheiras, e ele viu o Mac Oc andando na sua direção.

“Saudações a você, oh Dagda!” disse o Mac Oc.

“E para você”, disse o Dagda.

“O que faz você parecer tão doente?”, perguntou ele.

“Eu tenho uma boa razão”, disse ele. “Toda noite o satirista Cridenbel toma de mim os três melhores pedaços de minha refeição.”

 

28 – “Eu tenho conselhos para você”, disse o Mac Oc. Ele colocou a mão em sua bolsa e dela tirou três moedas de ouro, que entregou ao Dagda.

29 – “Coloca”, disse ele, “essas três moedas de ouro nas três porções para Cridenbel dessa noite. Então estas serão os melhores no seu prato, e o ouro vai ficar em sua barriga, e ele morrerá por isso; e após isso julgamento de Bres não estará correto. Os homens dirão ao rei, ‘o Dagda matou Cridenbel com uma erva mortal que ele lhe deu’. Então o rei pedirá para que você seja morto, e você vai dizer-lhe: ‘O que você diz, rei dos guerreiros dos Fenian, não é a verdade de um príncipe. Pois ele vinha me importunando desde que comecei meu trabalho, dizendo: ‘Dá-me os três melhores pedaços de sua porção, Dagda. Minha hospedagem é ruim esta noite’. De fato, eu teria morrido por isso, não fossem as três moedas de ouro que encontrei hoje que me ajudaram. Eu as coloquei em meu serviço. Então eu as dei a Cridenbel, porque o ouro era a melhor coisa que eu tinha perante mim. Assim o ouro está agora em Cridenbel, e ele morreu por causa disso”.

“Está claro”, disse o rei. “Que o estômago do satirista seja cortado para ver se o ouro pode encontrado nele. Se não for encontrado, você morrerá. Se estiver, no entanto, você viverá.”

30 – Então eles cortaram o estômago do satirista para encontrar as três moedas de ouro em sua barriga, e o Dagda foi salvo.

31- Então o Dagda foi para o seu trabalho na manhã seguinte, e o Mac Oc veio até ele e disse: “Logo terminarás o teu trabalho, mas não peça pagamento até que o gado da Irlanda seja apresentado a ti. Escolha dentre ele a espirituosa bezerra doméstica escura de crina negra.

32- Então o Dagda terminou o seu trabalho, e Bres perguntou o que ele pedir como pagamento por ele. O Dagda respondeu: “Eu exijo que você reúna o gado da Irlanda em um só lugar.” O rei fez o que ele pediu, e ele escolheu dentre ele a novilha que o Mac Oc lhe tinha dito. Isso parecia uma tolice a Bres. Ele pensava que o Dagda escolheria algo mais.

 

33 – Agora Nuadu estava sendo tratado, e Dian Cecht criou para ele uma mão de prata que tinha o movimento de qualquer outra mão. Mas seu filho Miach não gostou disso. Ele foi até a mão e disse: “junta por junta, tendão por tendão”; e ele a curou em nove dias e nove noites. Nos primeiros três dias ele segurou-a contra seu flanco, e ela ficou coberta com a pele. Nos três dias seguintes ele a segurou contra seu peito. Nos terceiros três dias, ele lançou mechas brancas de juncos pretos depois de terem sido enegrecidos pelo fogo.

34 – Dian Cecht não gostou da cura. Ele atirou uma espada na coroa da cabeça do seu filho, e cortou sua pele a carne. O jovem se curou por meio de sua habilidade. Ele o golpeou novamente e cortou sua carne até chegar ao osso. O jovem se curou pelos mesmos meios. Ele golpeou uma terceira vez e atingiu a membrana de seu cérebro. O jovem curou isso também, pelos mesmos meios. Em seguida ele desferiu o quarto golpe e cortou o cérebro, de modo que Miach morreu; e Dian Cecht disse que nenhum médico poderia curá-lo desse golpe.

35 – Depois disso Miach foi enterrado por Dian Cecht, e 365 ervas cresceram ao longo da sepultura, correspondente ao número de suas articulações e tendões. Então Airmed estendeu o seu manto e colheu as ervas de acordo com suas propriedades. Dian Cecht veio a ela e misturou as ervas, de modo que ninguém conhece as suas qualidades curativas apropriadas, a menos que o Espírito Santo lhes ensinasse depois. E Dian Cecht disse: “Embora Miach já não viva, Airmed permanecerá”.

 

36 – Naquele tempo Bres mantinha a soberania que tinha sido concedida a ele. Havia grandes rumores contra ele entre seus parentes maternos das Tuatha De, pois suas facas não eram umedecidas por ele. No entanto, não importava quantas vezes poderiam visita-lo, o hálito deles não apresentava o aroma de cerveja; e eles não viam seus poetas, nem seus bardos, nem seus satiristas, nem seus harpistas, nem seus flautistas, nem seus sopradores de chifres, nem seus malabaristas, nem seus bufões entretê-los na casa dele. Eles não viam disputas daqueles preeminentes nas artes, nem viam seus guerreiros provando sua habilidade com as armas perante o rei, com exceção de um homem, Ogma filho de Lain.

37 – Este era o dever que ele tinha, levar lenha para a fortaleza. Todos os dias ele levava um fardo das ilhas de Clew Bay. O mar levava embora dois terços do seu fardo, pois ele estava fraco por falta de alimento. Ele costumava levar de volta apenas um terço, e ele supria a hoste no dia a dia.

38 – Mas nem o serviço, nem o pagamento das tribos continuavam; e os tesouros da tribo não estavam sendo concedidos a toda a tribo.

39 – Em certa ocasião um poeta chegou à casa de Bres procurando hospitalidade (isto é, Coirpre filho de Etain, o poeta dos Tuatha De). Ele entrou em uma pequena casa escura e preta e estreita; e não havia fogo, nem móveis, nem roupas de cama nela. Três pequenos bolos foram trazidos a ele em um prato pequeno – e eles estavam secos. No dia seguinte ele se levantou, e não estava agradecido. Quando atravessou o pátio, ele disse:

Sem comida rapidamente em um prato,

Sem leite de uma vaca do qual um bezerro cresce,

Sem abrigo de um homem após a escuridão surgir,

Sem pagar a companhia de contadores de histórias – que seja a condição de Bres “.

Que a prosperidade de Bres não mais exista“, disse ele, e essa foi a verdade. Só houve praga sobre ele desde aquela hora; e esta foi a primeira sátira que foi feita na Irlanda.

 

40 – Ora, depois que as Tuatha De foram conversar com seu filho adotivo, Bres mac Elathan, e perguntaram por suas garantias, ele lhes deu a restauração do reinado, e eles não consideraram devidamente qualificado para governar desde esse momento. Ele pediu para permanecer por sete anos. “Você poderá”, o conjunto concordou, “desde que a garantia de cada tributo que tenha sido atribuído a você – incluindo casa e terras, ouro e prata, gado e alimentos – seja mantida pelos mesmos valores, e que tenhamos a liberdade de tributo e pagamento desde então”.

“Vocês terão o que você pedirem”, disse Bres.

41- Essa é a razão pelo qual ele pediu o atraso: para que pudesse reunir os guerreiros do Síd, os Fomorianos, para tomar posse das Tuatha pela força, desde que ele pudesse juntar uma vantagem esmagadora. Ele não estava disposto a ser expulso de seu reinado.

42- Então ele foi até sua mãe e lhe perguntou para onde sua família havia ido. “Estou certa sobre isso”, ela disse, e foi para a colina onde tinha visto o navio de prata no mar. Ela então foi para a praia. Sua mãe lhe deu o anel que tinha sido deixado com ela, e ele colocou em seu dedo médio, e ele se adaptou ao dedo. Ela não o havia dado a ninguém, fosse por venda ou presente. Até aquele dia não houvera ninguém no qual ele se encaixasse.

43- Em seguida, eles continuaram em frente até chegar à terra dos Fomorianos. Chegaram a uma grande planície com muitos acampamentos sobre ela, e chegaram ao melhor destes conjuntos. No seu interior as pessoas buscavam informações sobre eles. Eles responderam que eram dos homens da Irlanda. Em seguida eles foram questionados se tinham cães, pois naquela época era costume, quando um grupo de homens visitava outro acampamento, desafiá-los para um concurso amigável. “Temos cães,” disse Bres. Em seguida os cães foram postos para correr, e aqueles das Tuatha De eram mais rápidos do que os dos Fomorianos. Em seguida eles foram questionados se tinham cavalos para correr. Eles responderam: “Nós temos”, e eles eram mais rápidos do que os cavalos dos Fomorianos.

44- Em seguida eles foram questionados se tinham alguém que era bom em esgrima, e ninguém foi encontrado entre eles, exceto Bres. Mas quando ele levantou a mão com a espada, seu pai reconheceu o anel em seu dedo e perguntou quem era o guerreiro. Sua mãe respondeu em seu nome e disse ao rei que Bres era seu filho. Ela contou a história toda como já havia contado a Bres.

45- Seu pai estava triste com ele, e perguntou: “Que força te fez sair da terra que governava?”

Bres respondeu: “Nada me trouxe aqui, exceto minha própria injustiça e arrogância. Eu os privei de seus bens, e posses, e sua própria comida. Nem tributo, nem pagamento foram concedidos a eles até agora”.

46- “Isso é ruim”, disse o pai. “Melhor a prosperidade deles do que seu reinado. Melhores os seus pedidos do que suas maldições. Então por que você veio?” perguntou o pai.

47- “Eu vim para lhe pedir guerreiros”, disse ele. “Eu pretendo tomar aquela terra pela força.”

48- “Você não deveria ganhar pela injustiça, se não a ganha pela justiça”, disse ele.

49- “Eu tenho uma pergunta então: que conselho você tem para mim?” disse Bres.

50- Depois disso ele o mandou para o campeão Balor, neto de Net, o rei do Hébridas, e Indech mac De Domnann, o rei dos Fomorianos; e estes reuniram todas as forças de Lochlainn no oeste da Irlanda para impor o seu tributo e seu governo a eles pela força, e eles fizeram uma única ponte de navios das Hébridas para a Irlanda.

51- Nunca chegou à Irlanda uma hoste que fosse mais assustadora ou terrível do que o exército dos Fomorianos. Não havia rivalidade entre os homens da Cítia de Lochlainn e os homens das Hébridas a respeito dessa expedição.

 

52- Quanto às Tuatha De, de qualquer modo, isso é discutido aqui.

53- Depois de Bres, Nuadu reinava mais uma vez sobre as Tuatha De; e naquele tempo ele realizou uma grande festa para as Tuatha De em Tara. Ora, havia um certo guerreiro, cujo nome era Samildanach, a caminho de Tara. Naquela época havia porteiros em Tara chamados Gamal mac Figail e Camall mac Riagail. Quando o último estava de plantão, ele viu a estranha companhia vindo em sua direção. Um bem-constituído e belo jovem guerreiro, com diadema de um rei em sua fronte.

54- Eles falaram ao porteiro para anunciar a sua chegada em Tara. O porteiro perguntou: “Quem está aí?”

55- “Lug Lormansclech está aqui, o filho de Cian, filho de Dian Cecht e de Ethne, filha de Balor. Ele é o filho adotivo de Tailtiu, a filha de Magmor, o rei da Espanha, e de Eochaid Garb mac Duach.”

56- O porteiro então perguntou de Samildanach, “Que arte você pratica? Porque ninguém sem uma arte entra Tara”.

57- “Pergunte-me”, disse ele. “Eu sou um construtor”.

O porteiro respondeu: “Nós não precisamos de você. Nós já temos um construtor, Luchta mac Luachada.”

58- Ele disse, “Pergunte-me, porteiro: Eu sou um ferreiro”.

O porteiro respondeu: “Nós já temos um ferreiro, Colum Cualeinech das três novas técnicas”.

59- Ele disse, “Pergunte-me: Eu sou um campeão”.

O porteiro respondeu: “Nós não precisamos de você. Já temos um campeão, Ogma mac Ethlend”.

60- E disse ele: “Perguntou-me: Eu sou um harpista”, disse ele.

“Nós não precisamos de você. Já temos um harpista, Abcan mac Bicelmois, a quem os homens dos três deuses escolheram nos montes dos Síd” .

61- Ele disse, “Pergunte-me: Eu sou um guerreiro”.

O porteiro respondeu: “Nós não precisamos de você. Nós já temos um guerreiro, Bresal Etarlam mac Echdach Baethlaim”.

62- Então ele disse, “Pergunte-me, porteiro. Eu sou um poeta e um historiador”.

“Nós não precisamos de você. Nós já temos um poeta e historiador, En mac Ethamain”.

63- Ele disse, “Pergunte-me. Eu sou um feiticeiro”.

“Nós não precisamos de você. Temos feiticeiros já. Nossos druidas e nossas pessoas de poder são numerosos”.

64- Ele disse, “Pergunte-me. Eu sou um médico”.

“Nós não precisamos de você. Temos Dian Cecht como médico”.

65. “Pergunte-me”, disse ele. “Eu sou um copeiro”.

“Nós não precisamos de você Nós temos copeiros já:. Delt e Drucht e Daithe, Tae e Talom e Trog, Gle e Glan e Glesse”.

66- Ele disse, “Pergunte-me: Eu sou um bom braseiro”.

“Nós não precisamos de você. Temos um braseiro já, Credne Cerd”.

67- Ele disse: “Pergunta ao rei se ele tem um homem que possua todas essas artes: se ele tiver, eu não serei capaz de entrar em Tara”.

68- Então o porteiro entrou no salão real e contou tudo ao rei. “Um guerreiro chegou perante o salão”, disse ele, “chamado Samildanach, e todas as artes que o seu povo possui ele pratica sozinho, de modo que ele é o homem de todas as artes”.

69- Então ele disse que eles deveriam lhe testar com os tabuleiros fidchell de Tara, e ele venceu todas as partidas, de modo que ele fez o cro de Lug. (Mas se o fidchell foi inventado na época da Guerra de Tróia, ele não teria chegado à Irlanda, pois a batalha de Mag Tuired  e a destruição de Tróia ocorreram ao mesmo tempo.)

70- Então isso foi relatado a Nuadu. “Deixe entrar no salão”, disse Nuadu, “pois um homem como esse nunca veio antes para esta fortaleza”.

71- Então o porteiro o deixou passar, e ele entrou na fortaleza e sentou-se no banco do sábio, porque ele era um sábio em todas as artes.

72- Então Ogma atirou a laje, que exigia oitenta juntas de bois para ser movida, pelo salão, até que ela caiu do lado de fora Tara. Isso era um desafio a Lug, que jogou a pedra de volta para onde ela estava, no centro do salão real; e ele jogou a peça que estava fora do salão real de modo que ela caísse inteira novamente.

73- “Que a harpa seja tocada para nós”, disseram os anfitriões. Então o guerreiro tocou a música de sono para os anfitriões e para o rei na primeira noite, e os colocou para dormir desde aquele momento até a mesma hora do dia seguinte. Ele tocou uma música triste de modo que eles choraram e se lamentaram. Ele tocou uma música alegre, para que eles se alegrassem e regozijassem.

74- Então Nuadu, após ter visto os muitos poderes do guerreiro, considerou se ele poderia libertá-los da escravidão que sofriam nas mãos dos Fomorianos. Então, eles realizaram um conselho sobre o guerreiro, e a decisão a que Nuadu chegou foi a troca de lugar com ele. Então Samildanach foi para o trono do rei, e o rei se levantou perante ele por treze dias.

75- No dia seguinte, ele e seus dois irmãos, Dagda e Ogma, conversaram juntos em Grellach Dollaid; e seus dois parentes, Goibniu e Dian cecht, foram convocados por eles.

76- Um ano inteiro se passou nessa conferência secreta, de modo que Grellach Dollaid é chamado de Amrun dos Homens das Artes.

77- Então os druidas da Irlanda foram convocados por eles, juntamente com os seus médicos, e seus cocheiros, e seus ferreiros, e seus ricos proprietários de terras, e seus legisladores. Eles conversaram secretamente.

78- Então ele perguntou o feiticeiro, cujo nome era Mathgen, qual o poder que ele exercia. Ele respondeu que iria derrubar as montanhas da Irlanda sobre os Fomorianos, de modo que seus cumes rolariam sobre o chão. E lhes disse que as doze principais montanhas da terra da Irlanda estariam lutando em nome das Tuatha De Danann: Slieve League, e Denda Ulad, e as montanhas de Mourne, e Bri Erigi e Slieve Bloom e Slieve Snaght, Slemish e Blaisliab e Nephin  e Sliab Maccu Belgodon e as colinas Curlieu e Croagh Patrick.

79- Então ele perguntou ao copeiro que poder ele detinha. Ele respondeu que iria tirar os doze principais lagos da Irlanda da presença dos Fomorianos, e eles não encontrariam água neles, não importava o tamanho de sua sede. Estes são os lagos: Lough Derg, Lough Luimnig, Lough Corrib, Ree, Lough Mask, Strangford Lough, Belfast Lough, Lough Neagh, Lough Foyle, Lough Gara, Loughrea, Marloch. Eles iriam avançar para os doze principais rios da Irlanda – o Bush, o Boyne, o Bann, o Blackwater, o Lee, o Shannon, o Moy, o Sligo, o Erne, o Finn, o Liffey, o Suir – e todos eles estariam escondidos do Fomorianos para que não encontrassem uma gota deles. Mas bebida seria fornecida para os homens da Irlanda mesmo que permanecessem em batalha por sete anos.

80- Então Figol mac Mamois, o druida, disse, “Três chuvas de fogo choverão sobre as faces da hoste Fomorian, e eu tomarei deles dois terços de sua coragem e sua habilidade com as armas e sua força, e eu vou prender sua urina em seus próprios corpos e nos corpos de seus cavalos. Cada respiração que os homens da Irlanda inalarem aumentará a sua coragem e habilidade com armas e força. Mesmo se eles permanecerem na batalha por sete anos, eles não se cansarão de todo.

 

81- O Dagda disse, “O poder do qual se vangloriam, eu detenho todo sozinho”.

“Porque você é o Dagda [‘o Bom Deus’]!” disse a todos, e o nome “Dagda” foi atribuído desde esse momento.

82- Então eles dissolveram o Conselho, para se reunirem novamente naquele mesmo dia, três anos depois.

83- Em seguida, após a preparação para a batalha ter sido resolvida, Lug, e o Dagda, e Ogma foram aos três deuses das Artes, e eles deram equipamentos a Lug para a batalha; e por sete anos eles estiveram se preparando para eles, e fazendo as suas armas.

Então ela lhe disse: “Inicia essa batalha de conquista”… A Morrigan disse para Lug,

“Desperta…”.

Então Figol mac Mamois, o druida, profetizou a batalha e fortaleceu as Tuatha De, dizendo:

“Batalha será travada”.

 

84- O Dagda tinha uma casa em Glen Edin no norte, e ele tinha combinado de se encontrar com uma mulher ali, um ano após esse dia, próximo ao Samhain do ano da batalha. O Unshin de Connacht rugia para o sul.

Ele viu a mulher se lavando no Unshin em Corann, com um de seus pés em Allod Echae (isto é, Aghanagh), ao sul da água, e o outro em Lisconny, ao norte da água. Havia nove tranças soltas na sua cabeça. O Dagda falou com ela, e eles se uniram. “A cama do casal” foi o nome daquele lugar a partir desse momento. (A mulher mencionada aqui é a Morrigan.)

85 Então ela disse ao Dagda que os Fomorianos desembarcariam em Mag Ceidne, e que ele deveria chamar os Aés Dana da Irlanda para encontrá-la no Vau do Unshin, e ela iria para Scetne destruir Indech mac De Domnann, o rei dos Fomorianos, e iria tirar dele o sangue do seu coração e as bases de sua coragem. Depois ela daria duas mãos do seu sangue para as hostes, que estariam esperando no Vau do Unshin. Seu nome se tornou “O Vau da Destruição”, graças à destruição do rei.

86- Assim fizeram os Aés Dana, e eles cantaram feitiços contra as hostes Fomorianas.

87- Isto foi uma semana antes do Samhain, e eles estavam todos dispersos até que todos os homens da Irlanda se reuniram na véspera. Seu número era seis vezes trinta centenas, ou seja, cada terço consistia de duas vezes trinta centenas.

88- Então Lug mandou o Dagda para espionar os Fomorianos e atrasá-los até que os homens da Irlanda chegassem para a batalha.

89- Então o Dagda foi para o acampamento Fomorian e pediu-lhes por uma trégua de batalha. Esta foi concedida como ele pediu. Os Fomorianos prepararam um mingau para zombar dele, pois o seu amor de mingau era grande. Eles encheram para ele o caldeirão do rei, que tinha cinco palmos de profundidade, e derramaram quatro galões de leite novo, e a mesma quantidade de farinha e gordura nele. Eles colocaram caprinos e ovinos e suínos para ele, e cozinharam-nos todos juntos com o mingau. Em seguida, derramaram tudo em um buraco no chão, e Indech lhe disse que ele seria morto, a menos que ele consumisse tudo; ele tinha de comer o conteúdo de forma que não ofendesse a hospitalidade dos Fomorianos.

90- Então o Dagda pegou sua colher, que era grande o suficiente para um homem e uma mulher se deitarem no meio dela. Estas eram as partes que estavam nela: metade de porco salgado e um quarto de banha de porco.

91- Então o Dagda disse, “Esta é uma boa comida, se seu caldo é igual ao seu gosto.” Mas quando iria colocar a panela cheia em sua boca, ele disse: “Seus pedaços pobres não devem ser desperdiçados”, disse o velho sábio.

92- Então, no final, ele raspou o dedo curvado sobre o fundo do buraco entre terra e cascalho. Ele adormeceu em seguida, depois de comer seu mingau. Sua barriga era tão grande quanto um caldeirão de uma casa, e os Fomorianos riram dele.

93- Então ele se afastou deles indo para Traigh Eabha. Não era fácil para o guerreiro se mover ao longo do caminho por conta do tamanho de sua barriga. Sua aparência era desagradável: ele tinha uma capa até a altura de seus cotovelos, e uma túnica marrom-acinzentada ao seu redor, na altura da curva de seu quadril. Ele arrastava atrás de si um cajado com rodas que precisaria do trabalho de oito homens para mover, e sua trilha era o suficiente para cavar a vala da fronteira de uma província. Por isso o caminho é chamado “A Trilha da Clava do Dagda”. Seu longo pênis estava descoberto. Ele usava dois sapatos de couro de cavalo com os pelos para fora.

Ao passar ele viu uma jovem na sua frente, uma jovem de boa aparência, com uma excelente figura, seu cabelo em belas madeixas. O Dagda a desejou, mas ele estava impotente por causa de sua barriga. A jovem começou a zombar dele, e depois começou a lutar com ele. Ela o arremessou de forma que ele afundou seu traseiro no chão. Ele olhou com raiva para ela e perguntou: “Qual o seu assunto aqui, menina, me afastando do meu caminho certo?”

“Esse assunto: fazer com que você me carregue em suas costas para a casa do meu pai”.

“Quem é seu pai?”, perguntou ele.

“Eu sou a filha de Indech Mac De Domnann“, disse ela.

Ela foi para cima dele novamente e lhe bateu com força, de modo que a grama ao seu redor se encheu do excremento de sua barriga; e ela o satirizou três vezes para que ele pudesse levá-la de costas.

Ele disse que era um geis para ele carregar alguém que não iria o chamasse pelo nome.

“Qual é o seu nome?”, perguntou ela.

Fer Benn,” disse ele.

“Esse nome é um grande nome!” ela disse. “Levanta-te, carregue-me em suas costas, Fer Benn”.

“Esse não é realmente o meu nome”, disse ele.

“Qual é?”, perguntou ela.

 

Fer Benn Mach“, ele respondeu.

“Levanta-te, carregue-me em suas costas, Fer Benn Mach”, disse ela.

“Esse não é o meu nome”, disse ele.

“Qual é?” , perguntou ela. Então ele o disse inteiro. Ela respondeu imediatamente e disse: “Levanta-te, carregue-me em suas costas, Fer Benn Bruach Brogaill Broumide Cerbad Caic Rolaig Builc Labair Cerrce Di Brig Oldathair Boith Athgen mBethai Brightere Tri Carboid Roth Rimaire Riog Scotbe Obthe Olaithbe…. Levante-se, leve-me daqui! “

“Não zombe mais de mim, menina”, disse ele.

“Certamente isso será difícil”, disse ela.

Então ele saiu do buraco, depois de soltar o conteúdo de sua barriga, e a jovem esperou por isso por um longo tempo. Ele se levantou então, e levou a menina em suas costas; e ele colocou três pedras em seu cinto – uma pedra aparecia caindo por vez, e era dito que eram seus testículos que apareciam. A menina pulou em cima dele e lhe bateu na garupa, e seus encaracolados pelos pubianos apareceram. Então o Dagda ganhou uma amante, e eles fizeram amor. A marca permanece em Beltraw Strand,onde eles se reuniram.

Em seguida a menina lhe disse: “Você não vai para a batalha, de forma alguma”.

“Certamente que eu vou”, disse o Dagda.

“Você não irá”, disse a mulher, “porque serei uma pedra na boca de cada vau quev atravessar”.

“Isso é verdade”, disse o Dagda, “mas você não vai me impedir assim. Pisarei firmemente em todas as pedras, e a marca do meu calcanhar permanecerá em cada pedra para sempre”.

“Isso é verdade, mas elas estarão onde você não poderá ver. Você não passará por mim antes que eu chame os filhos de Tethra dos Montes dos Sid, porque eu serei um carvalho gigante em cada vau e em cada passagem que você cruzar”.

“Eu de fato passarei”, disse o Dagda, “e a marca de meu machado permanecerá em cada carvalho para sempre.” (E as pessoas sempre falaram sobre a marca de machado do Dagda.)

Em seguida, no entanto, ela disse: “Deixe que os Fomorianos entrem na terra, porque os homens da Irlanda estarão todos juntos em um só lugar”. Ela disse que iria atrapalhar os Fomorianos, e cantaria feitiços contra eles, e iria praticar a arte mortal da varinha contra eles – e ela sozinha assolaria uma nona parte da hoste.

 

94- O Fomorianos avançaram até que suas tendas estavam em Scetne. Os homens da Irlanda estavam em Mag Aurfolaig. Neste momento os dois exércitos estavam ameaçando batalha.

“Será que os homens da Irlanda comprometem-se a nos dar batalha?” disse Bres mac Elathan para Indech mac De Domnann.

“Eu darei o mesmo”, disse Indech, “e seus ossos serão pequenos se não pagarem seu tributo”.

95- A fim de protegê-lo, os homens da Irlanda concordaram em manter Lug fora da batalha. Seus nove pais adotivos vieram para guardá-lo: Tollusdam e Echdam e Eru, Rechtaid Finn e Fosad e Feidlimid, Ibar e Scibar e Minn. Eles temiam uma morte prematura para o guerreiro do grande número de suas artes.. Por esse motivo eles não o deixaram ir para a batalha.

96- Então os homens de proeminência entre as Tuatha De se reuniram ao redor de Lug. Ele perguntou a seu ferreiro, Goibniu, o poder que ele exerceria para eles.

97- “Não é difícil dizer”, disse ele.”Mesmo que os homens da Irlanda estejam em batalha por sete anos, para cada lança que se separar de sua haste ou espada que se quebrar em batalha, eu proverei uma nova arma em seu lugar. Nenhuma ponta de lança que minha mão forjar fará um lançamento perdido. Nenhuma pele que ela perfurar provará o gosto da vida após isso. Dolb, o ferreiro Fomoriano, não pode fazer isso. Eu estou agora concentrado na minha preparação para a batalha de Mag Tuired”.

98- “E você, Dian Cecht,” falou Lug, “que poder você exercerá?”

99- “Não é difícil dizer”, ele disse. “Qualquer homem que for ferido aqui, a menos que sua cabeça seja cortada, ou a membrana de seu cérebro ou sua espinha sejam feridas, eu o deixarei totalmente inteiro para a batalha no dia seguinte”.

100- “E você, Credne”, Lug disse ao seu braseiro, “qual é o seu poder na batalha?”

101- “Não é difícil dizer”, disse Credne. “Eu suprirei a todos com rebites para suas lanças e cintos para suas espadas e bojos e bordas para seus escudos”.

102- “E você, Luchta“, Lug disse ao seu carpinteiro, “que poder você exercerá na batalha?”

103- “Não é difícil dizer”, disse Luchta. “Eu suprirei a todos com quaisquer escudos e hastes de lança que precisarem”.

104- “E você, Ogma”, disse Lug ao seu campeão, “qual o seu poder na batalha?”

105- “Não é difícil dizer”, ele disse. “Sou páreo para o rei junto a vinte e sete de seus amigos, e ganharei um terço da batalha para os homens da Irlanda”.

106- “E você, Morrigan”, falou Lug, “que poder?”

107- “Não é difícil dizer”, disse ela. “Eu tenho o passo veloz; eu perseguirei o que for visto; eu serei capaz de matar; eu serei capaz de destruir aqueles cujo poder precisa ser subjugado”.

108- “E quanto a vós, feiticeiros”, disse Lug, “Que poder?”

109- “Não é difícil dizer”, disseram os feiticeiros. “As suas solas brancas serão visíveis depois de terem sido derrubados por nossa arte, de modo que eles poderão facilmente ser mortos, e tomaremos dois terços de sua força, e iremos impedi-los de urinar”.

110- “E quanto a vós, copeiros”, disse Lug, “Que poder?”

111- “Não é difícil dizer”, disseram os copeiros. “Vamos trazer uma grande sede sobre eles, e não encontrarão bebida para sacia-la”.

112- “E quanto a vós, druidas”, disse Lug, “Que poder?”

113- “Não é difícil dizer”, disseram os druidas. “Vamos trazer uma chuva de fogo sobre as faces dos Fomorianos, de modo que eles não poderão olhar para cima, e os guerreiros em luta com eles podem usar sua força para matá-los”.

114- “E você, Coirpre mac Etaine“, disse Lug ao seu poeta, “o que você pode fazer na batalha?”

115- “Não é difícil dizer”, disse Coirpre. “Eu vou farei uma glam dicenn contra eles, e eu vou satiriza-los e envergonhá-los para que, através da magia de minha arte, eles não ofereçam nenhuma resistência aos guerreiros”.

116- “E vocês, Bé Chuille e Dianann“, disse Lug às suas duas bruxas, “o que vocês poderão fazer na batalha?”

117- “Não é difícil dizer”, disseram. “Vamos encantar as árvores e as pedras e os torrões de terra para que sejam uma hoste em armas contra eles, e os dispersaremos em fuga trêmula e apavorada”.

118- “E você, Dagda“, disse Lug, “que poder você pode exercer contra a hoste Fomoriana na batalha?”

119- “Não é difícil dizer”, disse o Dagda. “Vou lutar pelos homens da Irlanda, tanto com matança e destruição e feitiçaria. Seus ossos debaixo da minha clava em breve estarão como granizo sob os pés dos rebanhos de cavalos, onde o duplo inimigo se encontra no campo de batalha de Mag Tuired”.

120- Então, desta forma Lug se dirigiu a cada um deles na sua vez, sobre as suas artes, para fortalecê-los e tratá-los de tal forma que cada homem tivesse a coragem de um rei ou grande senhor.

 

121- Agora, a cada dia a batalha foi planejado entre a raça dos Fomorianos e as Tuatha De Danann, mas não havia reis ou príncipes a travando , apenas os homens ferozes e arrogantes.

122- Uma coisa que se tornou evidente para os Fomorianos na batalha parecia notável para eles. As armas, as suas lanças e espadas, eram afetadas; e aqueles de seus homens que morriam não retornavam no dia seguinte. Esse não era o caso com as Tuatha De Danann: embora suas armas fossem danificadas durante o dia, elas estavam restauradas no próximo, porque Goibniu, o ferreiro, estava na forja fazendo espadas e lanças e dardos. Ele fazia aquelas armas com três golpes. Então Luchta, o carpinteiro, faria as hastes das lanças em três partes, e a terceira era final, e colocá-las nos bocais de lança. Após os pontas de lança estarem ao lado da forja ele jogaria as pontas com as hastes, e não era necessário prende-los novamente. Então Credne, o braseiro, faria os rebites com três golpes, e ele os passaria pelos bocais das lanças, e não era necessário fazer furos para eles; eles ficavam juntos desta forma.

123- Agora, isto é o que se usou para levantar os guerreiros que fossem feridos, para que estivessem mais ardentes no dia seguinte: Dian Cecht, seus dois filhos e Octriuil Miach, e sua filha Airmed cantavam feitiços sobre o poço chamado Slaine. Eles lançavam seus homens mortalmente feridos de dentro dele, da forma que eram abatidos; e eles estavam vivos quando saíam. Seus mortalmente feridos eram curados pelo poder do encantamento feito pelos quatro médicos que estavam ao redor do poço.

124- Agora, isso era prejudicial para o Fomorianos, e eles escolheram um homem para fazer um reconhecimento de batalha e das práticas do Tuatha De – Ruadan, filho de Bres e de Brig, a filha do Dagda, poid ele era um filho e um neto das Tuatha De. Em seguida, ele descreveu aos Fomorianos o trabalho do ferreiro e do carpinteiro e do braseiro e dos quatro médicos que estavam ao redor do poço. Eles o mandaram de volta para matar um dos aes dana, Goibniu. Ele pediu uma ponta de lança dele, seus rebites do braseiro, e seu eixo do carpinteiro; e tudo foi dado a ele como pediu. Agora, havia uma mulher afiando as armas, Cron, a mãe de Fianlach; e ela afiou a lança de Ruadan. Assim, a lança foi dada a ele por sua família materna, e por essa razão o tear do tecelão ainda é chamado de “a lança dos parentes maternos” na Irlanda.

125- Mas depois que a lança lhe foi dada, Ruadan se virou e feriu Goibniu. Ele pegou a lança e atirou-a de volta a Ruadan de modo que ele a atravessou; e ele morreu na presença de seu pai na assembleia Fomoriana. Brig chegou e pranteou o seu filho. No início ela gritou, no final ela chorou. Então, pela primeira vez choro e gritos foram ouvidos na Irlanda. (Agora ela é a Brig que inventou um assobio para sinalizar à noite.)

126- Então Goibniu foi para o poço e foi curado. Os Fomorianos tinham um guerreiro chamado Ochtriallach, o filho do rei Fomorian Indech mac De Domnann. Ele sugeriu que cada homem que deveria trazer uma pedra do rio Drowes para lançar no poço Slaine, em Achad Abla, a oeste de Mag Tuired, a leste de Lough Arrow. Eles foram, e cada homem jogou uma pedra dentro do poço. Por essa razão o marco é chamado de Cairn de Ochtriallach. Mas um outro nome para esse poço é Loch Luibe, pois Dian Cecht colocou nele todas as ervas que cresciam na Irlanda.

127- Agora, quando chegou a hora da grande batalha, os Fomorianos marcharam para fora de seu acampamento e formaram fortes batalhões indestrutíveis. Não havia um chefe, nem um guerreiro hábil entre eles sem armadura contra sua pele, um capacete na cabeça, uma ampla. . .lança na mão direita, uma pesada espada afiada em seu cinto, um forte escudo em seus ombros. Atacar a hoste Fomoriana naquele dia era “bater a cabeça contra um precipício”, era “uma mão em um ninho de serpentes”, era “aproximar o rosto do fogo”.

128- Estes eram os reis e líderes que incentivavam a hoste Fomoriana: Balor filho de Dot filho de Net, Bres mac Elathan, Tuire Tortbuillech mac Lobois, Goll e Irgoll, Loscennlomm mac Lommgluinigh, Indech mac De Domnann, rei dos Fomorianos, Ochtriallach mac Indich, Omna e Bagna, Elatha mac Delbaith.

129- Por outro lado, as Tuatha De Danann se levantaram e deixaram seus nove companheiros guardando Lug, e foram se juntar à batalha. Mas quando a batalha se seguiu, Lug escapou da guarda posta sobre ele, como um lutador sobre carruagem, e era ele quem estava à frente do batalhão das Tuatha De. Em seguida, uma batalha feroz e cruel foi travada entre a raça dos Fomorianos e os homens da Irlanda.

Lug incitava os homens da Irlanda a lutar a batalha feroz para que fossem cativos por mais tempo, pois era melhor encontrar a morte e ao mesmo tempo proteger sua pátria, do que estar em cativeiro e sob tributo, como eles tinham estado. Então Lug cantou o feitiço que se segue, passando ao redor os homens da Irlanda em apenas um pé e com um olho fechado. . . .

130-  As hostes deram um grande grito quando foram para a batalha. Então eles chegaram juntos, e cada um deles começou a golpear o outro.

131- Muitos belos homens bonitos ali caíram no abraço da morte. Grande foi o massacre e a carnificina que ali teve lugar. Orgulho e vergonha estavam lado a lado. Havia raiva e indignação. Abundante era o fluxo de sangue sobre a pele alva de jovens guerreiros mutilados pelas mãos de homens ousados​​, enquanto correndo em perigo de vergonha. Feroz foi o barulho feito pela multidão de guerreiros e campeões protegendo suas espadas e escudos e corpos enquanto outros golpeavam com lanças e espadas. Houve muito tumulto em todo o campo de batalha, os gritos dos guerreiros e o choque de escudos brilhantes, o farfalhar de espadas e lâminas com punho de marfim, o barulho e chacoalhar das aljavas, o zumbido e som de lanças e dardos, a descida de golpes de armas.

132- Enquanto eles cortavam uns aos outros suas pontas dos dedos e seus pés estavam empapados; e eles escorregavam pelo fluxo de sangue sob os pés dos guerreiros, e suas cabeças eram cortadas enquanto eles se levantavam.  A batalha ficou definitivamente sangrenta, carniceira, feroz, rubra, e as hastes das lanças estavam avermelhadas nas mãos dos inimigos.

133- Então Nuadu da Mão de Prata e Macha, a filha de Ernmas, caíram pelas mãos de Balor neto de Net. Casmael caiu pelas mãos de Ochtriallach, filho de Indech. Lug e Balor do Olho Perfurante se encontraram na última batalha. Ele tinha um olho destrutivo que nunca era aberto, exceto em um campo de batalha. Quatro homens levantariam a pálpebra do olho por um anel preso nela. A hoste que olhasse para o olho, mesmo que fosse de muitos milhares em número, não ofereceria resistência aos guerreiros. Ele tinha esse poder venenoso por uma razão: uma vez, quando os druidas de seu pai estavam se preparando feitiços, ele veio e olhou pela janela, e os vapores da mistura afetaram o olho, e o poder venenoso da bebida ali se estabeleceu. Então ele e Lug se encontraram . . . .

134- “Levanta minha pálpebra, rapaz”, disse Balor, “para que eu possa ver o sujeito falante que está conversando comigo”.

135- A pálpebra foi levantada a partir de olho de Balor. Então Lug atirou uma pedra funda de forma que levou o olho através de sua cabeça, e foi a sua própria hoste que olhou para ele. Ele caiu em cima da hoste Fomoriana, de modo que vinte e sete deles morreram sob seu peso; e a coroa de sua cabeça bateu contra o peito de Indech mac De Domnann, de modo que um jorro de sangue saiu dos seus lábios.

136- “Que Loch Lethglas [“Meio Verde”], meu poeta, seja trazido a mim”, disse Indech. (Ele era meio verde, do chão até o alto da cabeça). Ele se aproximou dele. “Descubra para mim”, disse Indech, “quem me atingiu”. . .Então Loch Lethglas disse:

“Declare, quem és, oh homem?”

Então Lug disse essas palavras em resposta a ele,

“Um homem convocado,

Que não tem medo de você“.

137- Em seguida, a Morrigan, a filha de Ernmas, veio, e ela fortalecia as Tuatha De para lutar a batalha resolutamente e ferozmente. Ela, então, cantou o seguinte poema:

“Reis se erguem para a batalha!”

138- Imediatamente após a batalha recomeçou, e os Fomorianos foram levados para o mar. O campeão Ogma, filho de Elatha, e Indech mac De Domnann caíram juntos em um combate individual.

 

139- Loch Lethglas pediu a Lug por trégua. “Conceda-me três pedidos”, disse Lug.

140- “Você os terá”, disse Loch. “Eu vou acabar com a necessidade de se proteger contra os Fomorianos da Irlanda para sempre; e qualquer julgamento que a sua língua proferir em algum caso difícil resolverá questão até o fim da vida”.

141- Assim Loch foi poupado. Então ele cantou “O Decreto de Fixação” para os Gael. . . .

142- Então Loch disse que iria dar nomes às nove carruagens de Lug, pois ele tinha sido poupado. Então Lug disse que ele podia nomeá-las. Loch, respondendo, disse: “Luachta, Anagat, Achad, Feochair, Fer, Golla, Fosad, Craeb, Carpat”.

143- “Uma pergunta então: quais são os nomes dos cavaleiros que nelas estavam?”

Medol, Medon, Moth, Mothach, Foimtinne, Tenda, Tres, Morb.”

144- “Quais são os nomes dos aguilhões que estavam em suas mãos?”

Fes, Res, Roches, Anagar, Cada, Canna, Riadha, Buaid.”

145- “Quais são os nomes dos cavalos?”

Can, Doriadha, Romuir, Laisad, Fer Forsaid, Sroban, Airchedal, Ruagar, Ilann, Allriadha, Rocedal.”

146- “Uma pergunta: qual é o número dos que foram mortos” Lug disse a Loch.

“Eu não sei o número de camponeses e plebe.  Quanto ao número de lordes Fomorianos e nobres e campeões e reis, eu sei.: 3 + 3 x 20 + 50 x 100 homens + 20 x 100 + 3 x 50 + 9 x 5 + 4 x 20 x 1000 + 8 + 8 x 20 + 7 + 4 x 20 + 6 + 4 x 20 + 5 + 8 x 20 + 2 + 40, incluindo o neto de Net com 90 homens. Essa é o número de mortos dos reis e altos nobres Fomorianos que morreram na batalha.

147- “Mas a respeito do número de camponeses, e pessoas comuns, e plebeus, e pessoas de todas as artes que vieram em companhia do grande exército – para cada guerreiro, e todo o alto nobre, e cada rei dos Fomorianos que vieram para a batalha com seus seguidores pessoais todos caíram ali, tanto os seus homens livres e os seus servos não-livres – Conto apenas alguns dos servos dos reis- ‘Este é, então, o número de pessoas contei como vi: 7 + 7 x 20 x 20 x 100 x 100 + 90, incluindo Sab Uanchennach filho de Coirpre Colc, filho de um servo de Indech mac de Domnann (isto é, o filho de um servo do rei Fomoriano).

148- “Quanto aos homens que lutaram em pares e os lanceiros, guerreiros que não chegaram ao coração da batalha que também caíram ali, até que as estrelas do céu podem ser contadas, e os grãos de areia do mar, e os flocos de neve e orvalho sobre a relva, e as pedras de granizo, e a grama debaixo dos pés dos cavalos, e os cavalos do filho de Lir em uma tempestade no mar – e eles não serão contados em tudo”.

149- Logo depois eles encontraram uma oportunidade para matar Bres mac Elathan. Ele disse: “É melhor me poupar do que me matar”.

150- “O que se seguirá então?” disse Lug.

“As vacas da Irlanda sempre estarão na estação”, disse Bres, “se eu for poupado.”

“Eu vou dizer aos nossos sábios”, disse Lug.

151- Então Lug foi até Maeltne Morbrethach e disse-lhe: “Deve Bres ser poupado para dar leite constante para as vacas da Irlanda?”

152- “Ele não deve ser poupado”, disse Maeltne. “Ele não tem poder sobre sua idade ou seus bezerros, mesmo que ele controle o seu leite enquanto estão vivos”.

153- Lug disse a Bres, “Isso não vai te salvar; você não tem nenhum poder sobre a sua idade ou o seus bezerros, mesmo que controle o seu leite”.

154- Bres disse, “Maeltne deu avisos amargos!”

155- “Há mais alguma coisa para lhe salvar, Bres?” disse Lug.

“Há, de fato. Informe ao seu legislador que colherão a cada trimestre, em troca de me poupar.”

156- Lug disse a Maeltne, “Deve Bres ser poupado por dar aos homens da Irlanda uma colheita de grãos a cada trimestre?”

157- “Isso é adequado para nós”, disse Maeltne. “Primavera para arar e semear, e o início do verão para amadurecer a força do grão, e no início do outono para a maturação completa do grão, e para colher. Inverno para consumi-lo.”

158- “Isso não vai te salvar”, disse Lug a Bres.

“Maeltne deu avisos amargos”, disse ele.

159- “Menos pode resgata-lo,” disse Lug.

“O que?”, perguntou Bres.

160- “Como os homens da Irlanda devem arar? Como devem semear? Como eles devem colher? Se você nos dar a conhecer estas coisas, você será salvo”.

“Dize-lhes, na terça-feira sua lavra; na terça-feira a semeadura de plantio no campo; na terça-feira a sua colheita”.

161- Assim, através desse acordo Bres foi libertado.

 

162- Agora, nessa batalha Ogma, o campeão, encontrou Orna, a espada de Tethra, rei do Fomoire. Ogma desembainhou a espada e a limpou. Então a espada contou o que havia sido feito por ela, porque era o hábito de espadas naquele tempo para contar as obras que foram feitas por elas sempre que eram desembainhadas. E por essa razão espadas têm direito ao tributo da limpeza depois de terem sido desembainhadas. Feitiços adicionais foram colocados em espadas daquele momento em diante. Agora a razão pelo qual demônios costumavam falar de armas, pois as armas costumavam ser adoradas por homens e estavam entre as garantias daquele tempo. Loch Lethglas cantou o seguinte poema sobre aquela espada. . . .

 

163- Então Lug, e o Dagda, e Ogma foram atrás dos Fomorianos, pois eles tinham roubado harpa do Dagda, Uaithne. Eventualmente eles chegaram ao salão de banquetes onde Bres mac Elathan e Elatha mac Delbaith estavam. A harpa estava na parede. Essa é a harpa em que o Dagda tinha prendido as melodias para que ela não fizesse um som, até que ele a chamou dizendo:

“Vem Daur Da Blao,

Venha Coir Cetharchair,

Vem verão, inverno vem,

Bocas de harpas e gaitas-de-foles!”

(Então a harpa tinha dois nomes, Daur Da Blao e Coir Cetharchair.)

164- Então a harpa veio da parede, e matou nove homens, e chegou à Dagda; e ele tocou para eles as três coisas pelas quais um harpista é conhecido: a música do sono, música alegre, e música triste. Ele tocou uma música triste para eles para que suas mulheres em luto chorassem. Ele tocou uma música alegre para eles, para que as suas mulheres e os crianças rissem. Ele tocou a música do sono para eles, para que as hostes dormissem. Então os três escaparam ilesos – embora eles quisessem matá-los.

165- O Dagda trouxe com ele o gado tomado dos Fomorianos através do mugido da novilha que havia sido dada a ele por seu trabalho; porque quando ela chamava por seu filhote, o gado da Irlanda, que os Fomorianos haviam tomado como seu tributo, começava a pastar.

166- Em seguida, após a batalha estar ganha e o massacre ter sido levado, a Morrigan, a filha de Ernmas, passou a anunciar a batalha e a grande vitória que lá havia ocorrido para os reais altivos da Irlanda e suas hostes dos Sid, para seus principais águas e suas bocas dos rios. E essa é a razão pelo qual Badb ainda relata grandes feitos. “Você tem alguma notícia?” todos lhe perguntaram.

“Paz para o céu.

Céu para a Terra.

Terra sob o céu,

Força em cada um,

Um copo muito cheio,

Cheio de mel;

Hidromel em abundância.

Verão no inverno. . . .

Paz para o céu. . . “

167- Ela também profetizou o fim do mundo, prevendo cada mal que ocorrerá então, e todas as doenças e vingança; e ela cantou o seguinte poema:

 

“Não verei um mundo

Qual será querido para mim:

Verão sem flores,

O gado sem leite,

Mulheres sem modéstia,

Homens sem valor.

Conquistas sem um rei. . .

Madeiras sem mastro.

Mar sem peixes. . . .

Falsos julgamentos de homens velhos.

Falsos precedentes dos legisladores,

Cada homem um traidor.

Cada filho de um ladrão.

O filho vai para a cama de seu pai,

O pai vai para a cama de seu filho.

Cada irmão seu primo.

Não se buscarão mulheres fora de sua casa. . . .

Um tempo maligno,

Filho vai enganar seu pai,

Filha vai enganar. . . “

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