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A espiritualidade céltica tinha por uma das principais características o seu aspecto profundamente local. A utilização do próprio termo “celta” é algo um tanto polêmico, uma vez que ele engloba uma quantidade imensa de divisões (Gaélico, Britônico, Continental), que por sua vez tem suas próprias divisões, até chegar às próprias tribos específicas dentro desses conjuntos. Ainda que todas partilhassem de certas características (sociais, linguísticas, espirituais…) em comum, cada tribo possuía suas próprias particularidades. Havia práticas e crenças que eram conhecidos de uma tribo e poderiam ser desconhecidos em uma tribo vizinha. Deuses eram conhecidos em caráter local e desconhecidos um rio ou colina depois. Assim, a espiritualidade céltica deve ser reconhecida sempre como um caminho de características locais e que, apesar de possuir uma base comum, sempre possuirá características particulares a cada uma das suas divisões.

Dito isso, vamos pensar no conceito de “Roda do Ano”. O Druidismo do Renascimento (falando aqui apenas pela Ancient Order of Druids, do qual nasceu a Order of Bards, Ovates and Druids, que promoveu as mudanças que viriam a ser a Roda do Ano) celebrava principalmente os solstícios e equinócios. Ross Nichols, junto ao seu amigo Gerald Gardner, compilou um conjunto de tradições de festividades com características pagãs no folclore irlandês e britânico que se tornaram “Os Quatro Festivais do Fogo” e propôs à AOD que essas quatro celebrações intercalares fossem integradas às práticas da ordem, o que foi negado. Gerald Gardner levou a sua Roda do Ano para a Wicca, enquanto Nichols preferiu fundar sua própria ordem (a OBOD) e adotar também a prática que desenvolveu junto ao amigo. E com o tempo essa prática se cristalizou. Hoje, com exceção das ordens do Renascimento mais radicais (como a AOD), é raro ver o Druidismo sem a celebração dos oito festivais anuais. A forma como esses oito festivais se manifestam variam. Alguns seguem a Roda original de Nichols e Gardner (que não utilizam apenas elementos de celebrações de origem céltica, mas também de saxãs), outros seguem os Quatro Festivais do Fogo célticos junto aos Solstícios e Equinócios de modo druídico tradicional e outros ainda preferem buscar referências célticas de festividades próximas a eles.

A busca por essas referências trouxe à luz novamente ao caráter local das culturas célticas. Festivais como a Latha na Cailleach (Escócia, próximo ao Equinócio de Primavera), a marcha da Mari Llwydd (País de Gales, próximo ao Solstício de Inverno), ou a celebração de Áine (Knockaine, na Irlanda, no Solstício de Verão) e o pagamento do aluguel a Manannán (Ilha de Man, também no Solstício de Verão) evidenciam o caráter local da cultura céltica. A celebração de Áine, especificamente, mostra que nem mesmo um ambiente restrito como a Irlanda está imune aos seus elementos de caráter puramente locais. A Roda do Ano (ou os Quatro Festivais) acabam nos dando uma noção ilusória de uniformidade dentro da cultura gaélica, como se eles fossem unanimidades dentro do território irlandês. Não são. Há diversas práticas e crenças sobre esses festivais que ocorrem apenas a nível local, não se repetindo em outras localidades. E há um desses festivais, que embora mantenha um caráter bastante semelhante à sua versão mais conhecida, que tem uma base e origem completamente diferentes.

A Feira de Carmun ocorre na mesma data que o Lughnasad, mas apenas em uma região de Leinster, mas com uma origem completamente diferente. Ao invés de ser uma festa dedicada à Lugh e à sua mãe, Tailtiu, é dedicada à Carmun, a feiticeira e inimiga das Tuatha Dé Danann. Ainda assim, a festividade carrega características muito semelhantes ao Lughnasad e outras festividades célticas da colheita. Os jogos são realizados como no resto da Irlanda, ainda que aqui as corridas de cavalo tenham muito mais importância e duravam sete dias, cada qual dedicado a um segmento da população. Acordos de paz e contratos legais ainda são fechados e a festividade era um primor de bardos, menestréis e poetas. Diferente do que havia no Lughnasad, contudo, havia lugares separados para homens e mulheres (o que alguns podem interpretar como sendo uma interferência cristã na manutenção do festival) e  não era uma ocasião considerada propícia ao casamento. A Feira de Carmun não era menos importante ou esplendorosa do que a de Lughnasad, ao que parece, mas uma delas se tornou popular no mundo moderno, outra não. Uma questão de seletividade. Não é uma tentativa de mudar aquilo que se cristalizou no paganismo contemporâneo, mas conhecer a lenda de Carmun nos mostra que há sempre mais a ser descoberto e que nem sempre aquilo que se tem por certo é igual em todo lugar (além de mostrar novamente o caráter local da cultura céltica, claro).

Versão em Prosa (The Prose Tales in Rennes Dindsenchas, traduzido por Whitley Stokes)

Eram três homens que vieram de Atenas e uma mulher com eles [sua mãe]. Os homens eram os três filhos de Dibad, filho de Doirche, filho de Ainces (“Extinção filho das Trevas filho da Dor”), e seus nomes eram Dian e Dub e Dothur (“Violento, Negro e Maligno”), e o nome de sua mãe era Carman.

Por feitiços e magias e encantamentos a mãe arruinava a todos os lugares. Pela pilhagem e desonestidade, os homens destruíam.

Então eles foram para a Irlanda para trazer o mal sobre as Tuatha Dé Danann, trazendo a praga dos grãos dessa ilha sobre elas. Para as Tuatha Dé Danann, isso parecia ruim. Então Ái, filho de Ollam, dos seus poetas, e Cridenbél dos seus satiristas, e Lugh Laebach dos seus magos, e Bé Chuille, de suas feiticeiras, foram para cantar feitiços sobre eles, e eles não pararam até que tinham expulsado os três homens para o mar. E os homens deixaram sua mãe, Carman, como um penhor de que eles não voltariam a Erin e eles também deram sete coisas que serviam como segurança de que não voltariam enquanto o mar cercasse a Irlanda.

Sua mãe morreu de pesar em seu cativeiro, e ela pediu às Tuatha Dé Danann para realizarem sua festa (oénach) no seu lugar de enterro, e essa festa e o lugar deveriam receber seu nome. E as Tuatha Dé Danann a realizaram enquanto estiveram em Erin. Por isso Carman e Oénach Carmuin.

 

Versão Poética (The Metrical Dindsenchas, tradução por Edward Gwynn)

 

Ouçam, homens de Leinster das sepulturas,
Oh hoste que governa Raigne dos direitos sagrados,
Aqui vocês recebem de mim, coletada à mão,
a bela lenda de Carmun, elevada em fama!

Carmun, lugar de realização de uma feira hospitaleira,
dos caminhos planos: —
as hostes que costumavam vir para sua celebração
competiam em suas brilhantes corridas.

Um local de sepultamento de reis é seu nobre cemitério,
muito estimado das hostes de alto renome;
sob os montes de assembleia estão muitos
de uma hoste de estirpe sempre-honrada.

A velar rainhas e reis,
a lamentar vinganças e malfeitos,
aqui vieram muitos de belas hostes na época da colheita
através das nobres faces planas da antiga Carmun.

Foram homens, ou um homem de poderosa coragem,
ou mulher com fala passional,
que ganhou um título de […]  sem descrédito,
e deu seu nome próprio à nobre Carmun?

Nem homens foram, nem um homem raivoso,
mas uma feroz mulher saqueadora —
brilhante era seu precinto e sua fama —
do qual Carmun recebeu seu nome no início.

Carmun, esposa do filho do feroz Dibad,
filho do muito hospitaleiro Doirche das hostes,
filho de Ancgeis, rico em posses,
era uma líder com experiência em muitas batalhas.

Nenhuma quantidade de ganhos os apaziguava
em seu ardente desejo pela nobre Banba;
pois estavam bastante empobrecidos no leste,
os filhos do filho de Dibad e sua mãe.

Eles navegaram para o oeste pela segunda vez
— Dian e Dub e Dothur —
do leste da distante Atenas,
eles e Carmun, sua mãe.

Nas fronteiras das Tuatha De
o povo de uma união hostil assolou
o fruto de cada terra até a costa:
goi uma terrível pilhagem desregrada.

Carmun, por meio de cada feitiço afamado,
destruiu toda a seiva dos frutos crescentes,
após o conflito usou todas as artes proibidas,
e os filhos trouxeram batalha e da ilegalidade.

Então as Tuathá Dé perceberam;
horror e terror os atingiram
para cada feito cruel que causaram,
as Tuatha De infligiram o mesmo sobre eles.

Crichinbel — nenhuma decepção isso!
e Lug Laebach, filho de Cacher
Be Chuilli, a quem devo ver acima de todos os campos de batalha
e Ai, filho de Ollam.

Os austeros quatro, iguais em força,
disseram a eles ao derrotá-los,
“Uma mulher está aqui para enfrentar sua mãe,
três homens para os três irmãos;

“Morte a vocês — nenhuma escolha vós tereis,
nem bênção, nem desejo afortunado!
ou deixem de boa vontade um refém:
partam de Erin os outros três apenas!”

Aqueles homens partiram daqui;
meios severos foram encontrados para expulsá-los;
embora fosse difícil para eles, aqui deixaram
Carmun — viva em sua cela estreita.

O juramento foi feito para que não fosse transgredido impunemente,
o mar com suas bestas, os céus, a terra com suas cores brilhantes,
para que os fortes chefes não voltassem ao sul
enquanto o mar estivesse ao redor de Erin.

Carmun, morte e pesar a levaram.
O crescente luto a visitou
Ela encontrou seu destino, como era certo,
Entre os carvalhos das sepulturas.

Ali chegaram, pelo deleite de sua beleza,
para lamentar e erguer o primeiro pranto sobre ela,
as Tuatha De, sobre essa nobre planície a leste:
foi a primeira feira de Carmun.

A sepultura de Carmun, quem a cavou?
Nós aprendemos ou sabemos?
De acordo com o julgamento de cada estimado ancião
foi Bres, filho de Eladu: ouçam!

Quinhentos e oitenta
anos desde então — sem mentiras!
De Carmun, uma cativa sob tributo,
ao nascimento de Jesus em forma humana, cantado nos salmos.

Quatrocentos e trinta e dois anos
do nascimento de Cristo — Não é falsa a contagem!
até o governo de Crimthand sobre a capturada Carmun
Até Patrício, grande e glorioso.

Trinta e cinco reis no leste, sem uma maldição
dos homens de Leinster antes da fé de Cristo;
o som deles se espalhou por Erin
Do teu doce e auspicioso refúgio, oh Carmun!

Cinquenta e cinco reis — diligentes estes —
dos guerreiros da Cristandade
de Crimthann, marcado por feridas,
a Diarmait Durgen, forte e vigoroso:

Oito filhos de Galam, com o númerosas hostes,
Donn, Hir, Eber, Heremon,
Amairgen, desprezado Colptha,
Herech, Febria e Erennan:

Estes eram as garantias da Feira,
altamente aclamados em todas as estações,
na chegada e na partida
sem nenhuma rude hostilidade.

Das Tuatha De aos filhos de Mil,
ela foi um refúgio para nobres damas e homens principescos;
dos filhos de Mil (isso foi um fato claro),
até Patrício de Ard Macha, ela foi um refúgio.

Céu, terra, sol, lua e mar,
frutos da terra e matéria do mar,
bocas, orelhas, olhos, posses,
pés, mãos, línguas de guerreiros,

Cavalos, espadas, belas carruagens,
lanças, escudos e os rostos dos homens,
orvalho, troncos, brilho nas folhas,
dia e noite, fluxo e vazante: —

As hostes de Banba, livres da tristeza que perdura,
concederam tudo isso como promessa
de que ela não estaria sob a escuridão das disputas
que seriam interrompidas a cada terceiro ano.

Os Pagãos dos Gael mantiveram
muitas vezes com grande aclamação
uma Feira sem lei, sem pecado,
sem feitos de violência, sem impureza.

Povo do batismo de Cristo, não escondam isso!
ouçam, pois é certo
os homens merecem uma maldição a mais quando se afastam
de Cristo e do Cristianismo.

Reis e santos de Erin ali
ao redor de Patrício e Crimthand:
eles que julgavam estritamente cada disputa;
eles abençoaram a Feira.

Nove feiras antes do tempo da partida das Tuatha De
sobre as fronteiras da bem afamada Carmun:
cinquenta vezes entre eles, rapidamente,
de Herimon a Patrício.

Cinco vezes quarenta
agradáveis e gloriosas feiras em sucessão
de Bresal Broenach, sem traição,
até a feira final.

De Crimthand, puro de beleza
até a alta batalha do violento Ocha,
nove famosas feiras sem divisão
mantidas pela semente do heróico e nobre Labraid.

Dezesseis reis, eu estou certo
para cada sábio, cada loquaz shanachie, —
de Carmun dos portos uivantes
as hostes vieram para a poderosa feira.

Oito da populosa Dothra,
uma hoste de renome, sempre louvada,
devidamente manteve a feira de Carmun
com pompa e com armas puras.

Doze sem uma longa possessão partilharam
famosas feiras, eu digo,
foram da companhia de rapinante coragem
que surgiu da semente real do grande Maistiu.

Cinco dos ferozes Fid Gaibli
se reuniram sobre Carmun, altiva em fama
uma feira bem ornamentada com linhas de homens
com selas, com bridões.

Seis homens de Raigne das corridas,
da semente de Bresal Brec, o ferreiro,
um bando de cabelos claros que saqueava o oeste
sobre a colina de Carmun das mil feridas.

Patrício e Brigite juntos,
Caemgen e Columcille,
eles eram as garantias contra cada tropa
ninguém ousaria atacar sua própria comitiva de cavaleiros.

A feira dos santos em primeiro lugar,
força para mantê-la e lei para direcioná-la:
a feira dos altos reis com pureza
é a que vem a seguir pela ordem.

Os jogos no dia seguinte, das mulheres de Leinster
da hoste radiante — nenhum dito falso —
mulheres nobres, de grande estima no mundo;
esse é o seu encontro, a terceira feira.

Os Laigsi, os Fothairt, fortalecendo sua fama —
dua vez era após a parte das mulheres:
Leinster com todos os seus tesouros é deles,
os bravos homens em postos para guardá-los.

Por príncipes honoráveis
Eram realizados os quintos jogos de Carmun:
As honoráveis companhias de Erin, contudo,
a eles firmemente pediam pelos sextos

Finalmente pelo Clann Condla foram realizados
os jogos da bem-protegida Carmun:
nobre foi o pacto além de cada hoste
acima de cada triunfo e contenda real.

Sete jogos, como és ensinado,
é a parte que Patrício deixou,
cada dia de uma semana dedicado:
em nome de sua amada fama, bem conhecida!

Os homens de Leinster usam essa sabedoria
por tribos e por casas,
dos dias de Labraid Longsech, com numerosas hostes,
ao poderoso Cathair das lanças rubras.

Cathair de Carmun nada deixou
a não ser apenas sua poderosa descendência:
na sua chefia, com riqueza especial,
vejam a semente de Ros Failge!

O trono do nobre rei de Argatros
à direita do agradável e modesto rei de Carmun;
à sua mão esquerda, sem uma herança mendicante,
o trono do rei Gaible de brilhante linhagem.

Os Laigsi são descendentes da semente
do poderoso Lugaid filho de Conall Cendmor;
e os Fothairt, cuja seca não visita,
livres da pobreza de persegui-los.

Nas calendas de agosto, livres de reprovação
Eles lá se reuniriam a cada terceiro ano:
eles realizariam sete corridas por um objeto glorioso,
Sete dias na semana.

Ali eles discutiriam com o conflito das palavras
os devidos e tributos da província.
cada decreto de direito legal piedoso
a cada terceiro ano seria estabelecido.

Grão, leite, paz, conforto feliz,
redes cheias, plenitude do oceano,
homens de barbas grisalhas, chefes em amizade
com tropas governando Erin.

Demandas, duras imposições de débitos,
sátiras, discussões, má conduta
não são toleradas durante as corridas

[…]
esconder-se com um depósito, nem distração.

Nenhum homem vai para uma assembleia de mulheres,
nem mulheres para uma assembleia de belos homens puros;
quanto aos casamentos súbitos, não são conhecidos ali,
nem um segundo consorte, nem uma segunda família.

Quem quer que transgrida a lei dos reis,
é proscrito firmemente para sempre
para que ele não prospere em sua tribo,
mas morra por seu pecado mortal.

Esses são os grandes privilègios da Feira:
trombetas, harpas, chifres de soar,
flautistas, timpanistas incansáveis,
poetas e músicos suaves.

Contos de Find e dos Fianna, um assunto inacabável,
saques, ataques, cortejos,
tabuletas e tomos de conhecimento,
sátiras, adivinhas perspicazes:

Provérbios, máximas, a Lei
e ensinamentos verídicos de Fithal,
canções sombrias das Dindsenchas para ti,
ensinamentos de Cairpre e Cormac;

Os festins ao redor do poderoso Banquete de Tara,
as feiras, ao redor da Feira de Emain;
anais, isso é verdade;
cada divisão no qual Erin fora partida:

O conto da casa de Tara, que não é pequeno,
O conhecimento de cada vila de Erin,
a crônica das mulheres, contos de exércitos, conflitos,
cercos, tabus, capturas:

As dez partes do Testamento do centésimo Cathair
à sua legítima descendência, nobre em estatura,
assinalam o estado de cada homem como é devido,
então que todos o ouçam.

Flautas, rabecas, cantores,
tocadores de ossos e de gaitas de foles,
Uma multidão terrível, barulhenta, profana,
guinchadores e gritadores.

Eles exercem todos os seus esforços
para o Rei da fervilhante Berba:
o rei, nobre e honrado,
paga para cada arte o seu valor apropriado.

Contos de morte e massacre, tensões na música;
exata sincronia na grande corrida;
sua linhagem real, uma benção através de Bregmag
sua batalha e sua rígida coragem.

Este é o sinal para o encerramento da Feira
Pela afortunada e sempre alegre hoste:
Que seja dada a eles, do Senhor,
a terra com seus agradáveis frutos!

[…]

Dos homens de Leinster no dia seguinte
O acordo sagrado – nenhuma benção enganosa –
sobre a água abençoada de Carmun, devotamente,
missa, genuflexão, cantar de salmos.

Um jejum era realizado no outono,
em Carmun, todos juntos,
pelos homens de Leinster, não poucos ali reunidos,
contra o erro e a opressão.

Clérigos e leigos dos homens de Leinster ali,
esposas dos guerreiros seguramente,
Deus sabia o que eles mereceriam;
à suas nobres orações Ele ouvia.

A hospitalidade dos Ui Drona a seguir,
e competições de cavalos de Ossory,
e um grito erguido com cabos de lanças
pela hoste – esse é o final.
Embora devamos chamá-la de Firt Mesca,
não era por raiva nem malícia;
ela e Sengarman, o curvado, seu marido,
foi ali que ela foi enterrada para a eternidade.

Mesmo para eles ela era assim chamada
entre lidas hostes;
ela pertenceu a eles, sem pobreza, e eles à ela,
oh, homens de Leinster, ouçam!

Vinte e um temporões – sua fama perdura –
Onde descansa a hoste sob os torrões da terra,
e sua contagem de sepulturas por direito famosa,
onde descansam os amados da nobre Carmun.

Sete montes seguidos, não visitados,
para o frequente prantear dos mortos,
sete planícies, arredores sem uma casa,
sob os jogos funerários de Carmun.

Três ocupados mercados na terra,
o mercado de comida, o mercado de gado,
o grande mercado dos estrangeiros gregos,
onde havia ouro e belas roupas.

A ladeira dos cavalos, a ladeira da cozinha,
a ladeira em que as mulheres se encontravam para o bordado;
nenhum homem da hoste dos barulhentos Gaedil
se gabava ou se rebaixava.

Pela negligência chegam
calvície, fraqueza, grisalhice precoce,
reis sem astúcia ou alegria,
sem hospitalidade ou verdade.

Vigorosa até agora tem sido a fúria
das numerosas hostes da fortaleza de Labraid:
toda hoste que não é agressiva é sem seiva,
homens a ameaçam, e elas não ameaçam a ninguém.

Uma boa-vinda com a hoste celestial dos santos
para mim, e com Deus, belo, nobre e gentil!
O rei com hostes abençoadas que governam;
a cada súplica ele escuta.