Solstício de Verão

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Um belo encerramento de ano. Acho que podemos chamar assim a nossa cerimônia de Solstício de Verão do Ramo de Carvalho. Desde o início sempre foi um dos nossos sonhos realizar esse festival no litoral, à beira-mar, para homenagear o Cavaleiro das Ondas, Manannán mac Leir. Ainda não havia sido possível por diversos aspectos, inclusive a excessiva lotação das praias brasileiras nessa época de final de ano. Mas dessa vez foi possível, graças à nossa querida anfitriã e membro, Jully Basílio. Sua casa em Bertioga abrigou a todos nós, e aos nossos convidados em um final de semana quente e ocupado, mas muito gratificante.

Os grupos foram chegando aos poucos, mas tão logo a maioria estava lá (e o almoço estava sendo preparado), começamos os trabalhos espirituais homenageando aos espíritos anfitriões do local. Então partimos para um pequeno descanso e arrumação, conversando, trocando ideias e canções. As nossas Watis prepararam os seus banhos purificadores e protetores com as ervas, e logo um grupo fez o reconhecimento do mar (também para buscar lenha para a fogueira). O lugar parecia calmo e vazio, exatamente como buscávamos. Foi bom ter o primeiro contato com a natureza ali, com a força das ondas, e ver a única criança entre nós brincando no mar.

Com o local escolhido, voltamos para nos preparar e esperar a chegada das últimas pessoas a chegar. Todos os que haviam sido purificados pelos banhos se reuniram para uma nova vivência guiada por Juju, através da passagem entre os Mundos. Foi bastante intensa, pelos relatos de todos, pois ela contou com a união de diversas energias, do mar próximo, dos banhos purificadores, do calor, da escuridão e dos instrumentos. Foi uma vivência poderosa, e Juju a guiou magistralmente. Quando partimos para a praia para a cerimônia já era alta madrugada; não muito longe de nós havia um grupo da Umbanda celebrando a sua própria Rainha do Mar. Apesar de tradições diferentes, não nos sentíamos sozinhos. Por vezes os tambores deles ressoavam em resposta ao nosso bodhrán, não como um desafio, mas como uma sinalização de que sabiam que também estávamos lá para um propósito sacro.

Foi um dos rituais mais intensos que já pude celebrar com o Ramo; levar as homenagens e pedir a abertura dos portais entre os mundos após passar por nove ondas trouxe uma força única. E celebramos, e remamos a barca entre os mundos, e andamos entre as nove ondas, e contamos as lendas e histórias do senhor do mar, recitamos poemas e homenageamos o avô falecido da nossa amiga e membro Celina Uemura. Voltamos para a casa felizes, com o sol nascendo atrás de nós. Apesar de uma noite pouco dormida, logo pela manhã alguns dos membros (Endovelicon, Lívia, Juju, Samantha e Cunobelinos) partiram para a praia para encerrar a cerimônia religiosa e recolher os restos (pois somos praticantes de Druidismo, e não deixaríamos detritos poluentes em um lugar tão belo).

A viagem de volta ocorreu como a de ida, em partes; mas ela foi feita com a certeza das bençãos vindas do mar, e com o alívio de um belo final de semana entre amigos.

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