VII Encontro Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta

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(todas as fotos retiradas por Adriano Cavalcante e membros do Clann an Samaúma)

Creio que eu tenha dito isso em todos os anos, mas é uma verdade: cada Encontro Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta é diferente dos outros. Cada um tem seu teor, seus sabores, seu clima, suas próprias características. O sétimo EBDRC veio para confirmar isso. Um evento muito próprio, com muitos sabores (aliás, principalmente sabores próprios), com um teor muito particular, mas que, em nenhum momento, deixou de ser o EBDRC, que levou dignamente a chama do evento adiante. A última edição do evento ocorreu no Pará, e foi organizada pelo Clann an Samaúma. De longe, foi a edição mais voltada ao honrar dos Ancestrais da Terra e isso tornou o evento único, mas sem descaracteriza-lo em nenhum momento.

Mas comecemos pelo início. Como costuma ocorrer no EBDRC, os participantes costumam chegar à cidade-sede aos poucos, de acordo com a sua disponibilidade para viajar.  A primeira coisa visível para aqueles que vinham dos cantos mais ao sul do país era o grande calor do verão amazônico, mas estávamos todos preparados para isso. Logo nos juntamos aos grupos que lotariam as duas vans em direção à cidade de Castanhal, onde o evento ocorreria. A primeira ótima notícia que tivemos é que o belo Hotel Quinta das Alamandas é um lugar belíssimo e pleno de natureza, que manteve a tradição dos ótimos locais escolhidos para o evento, tanto para os que ficaram nos chalés, quanto para os que ficaram em camping (com algumas adaptações para a forte chuva amazônica, claro). Não demorou para estarmos todos acomodados e desfrutando do almoço, com comida de ótima qualidade e com o forte sabor da culinária local, de longe algo que foi uma das grandes características do Encontro.

Logo após um breve período de descanso, iniciamos oficialmente o evento com a cerimônia de abertura. Foi um belíssimo ritual, onde pudemos unir nossas vozes e intenções para os dias que passaríamos juntos. As oferendas foram levadas ao rio que corria na área do hotel por Marcos Reis, do Caer Tabebuya e Floresta de Manannán e atual presidente do Conselho Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Céltico. Uma das significativas cerimônias de abertura da história do EBDRC. Ao seu final, partimos para um rápido lanche, pois a primeira atividade não demoraria. Ela veio com a bela palestra de Marcia Wayna Kambemba, que nos falou bastante sobre a tradição indígena amazônica e sua espiritualidade, uma palestra que tocou muitos dos presentes, e que ficou na memória de todos. Após ela, foi a vez de Myrian Carvalho nos passar o seu conhecimento sobre as ervas amazônicas, ensinando a fazer o famoso “banho de cheiro”; uma excelente atividade para todos aqueles interessados em seguir o caminho do conhecimento das ervas. Após o jantar, Marcos nos falou um pouco sobre a sua experiência com ervas de poder, como uma prévia da atividade seguinte, a Cerimônia Sagrada de Conexão com os Ancestrais, conduzida por Flori Jácomo, onde recebemos os nossos ensinamentos da erva da Ayahuasca; a experiência de cada um com essa poderosa guia acaba sendo bastante pessoal, mas foi uma experiência bastante intensa e forte. Realmente, algo digno de se lembrar. Dormimos tarde naquela noite, ainda recebendo e entendendo as lições que nos foram dadas.

O dia seguinte começou com a palestra desse cão que vos late, por isso saltei cedo para fora da barraca e tomei um banho de bica, aproveitando a água fria que corria do rio no início da manhã. Uma das melhores formas de acordar, posso garantir. A minha palestra versou sobre a crença no Destino dentro do Druidismo, algo que é parte do treinamento dos membros da Ordem Druídica Ramo de Carvalho. Após a palestra, fomos novamente para as margens do rio para o Rito Interclânico da Cura das Águas, outra atividade belíssima e significativa, que contou a participação da grande maioria dos membros presentes. Após o almoço, partimos para as oficinas, tradição que se iniciou no 4º EBDRC (Cotia/ SP) e se fortaleceu no 6º EBDRC (Curitiba/PR). As oficinas ocorriam de forma simultânea e os temas foram “Feitiços e Maldições” (Marcos Reis), “O Ogham como Caminho Místico” (Dartagnan Silva) e “Jornadas Visionárias no Mundo Celta” (com esse cão, Wallace Cunobelinos); não pude estar presente nas outras atividades, obviamente, mas foram bastante elogiadas. Após um rápido lanche, foi a vez de uma atividade que já se tornou tradicional do EBDRC, que é a roda de danças conduzidas por Mayra ní Bríghid (Clann an Samaúma), sempre um momento muito divertido e que serve não apenas para a descontração e para o conhecimento, mas também para fortalecer a conexão entre todos. Como sempre, nos divertimos muito. Então foi a vez do druida /|\ Tan Hud, do Colegiado Druídico Deru Lug (São José do Rio Preto – SP), conduzir uma belíssima cerimônia no “Ritual de Proteção Solar e Oferenda ao Fogo”, um dos momentos mais belos de todo esse encontro, na minha opinião; eu, pessoalmente, me senti muito tocado por tal cerimônia. Após o jantar, tivemos uma roda de conversa com o tema “Vivendo o Druidismo no Brasil”, onde conversamos sobre diversos aspectos das manifestações nacionais do Druidismo em nosso país; ainda que muito tenha sido dito, a conclusão geral ao qual chegamos é que, assim como o foi no passado, o Druidismo no presente sempre será múltiplo, com diferentes manifestações e escolas, e que temos que aprender a tornar essa diversidade mais uma força do que uma fraqueza. A roda de conversa desembarcou na nossa tradicional Assembleia da Fogueira Sagrada, onde conversamos ao redor da fogueira sobre assuntos pertinentes ao Druidismo no Brasil; um dos seus principais objetivos é decidir o local onde ocorrerá o próximo EBDRC, e foi decidido que ele voltará ao estado de São Paulo, mas dessa vez na bela vila colonial de Paranapiacaba, a Terra das Brumas. Terminamos a noite com as Histórias e Canções ao Redor da Fogueira, que acabou se tornando Histórias e Canções na Beira da Piscina, um momento de descontração e alegria. Dormimos tarde novamente.

O último dia de evento chegava, e a vontade de que não acabasse era grande. Sheilla Pereira Sabbag Uberti, do Caer Itaobi (São Paulo), começou as atividades do dia com a palestra sobre a “Deusa Cailleach e Seus Lugares Sagrados”, que trouxe um pouco do inverno escocês para o nosso verão amazônico. Depois foi a ver de seu marido, João Eduardo Schleich Uberti, que nos trouxe uma atividade para que lembrássemos do espírito aguerridos dos celtas: um workshop de combate de adagas. O evento chegava ao seu final, e sempre fica aquele sentimento de querer mais. O EBDRC tem esse dom, de nos prover alguns dias de paz e integração que não queremos que terminem. Mas realizamos, com amizade e espírito alegre o rito de encerramento e coube a esse cão trazer a perda-base do moledro do EBDRC (tradição iniciada em Curitiba). E partimos, de volta para nossas casas, carregando um pouquinho do Pará em nossos corações (e nas malas, obviamente). O VII EBDRC foi um sucesso e o Clann an Samaúma merece todos os aplausos pela realização do evento. Agora é a vez de Paranapiacaba. Nos vemos lá!

 

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